Presidenciáveis apresentam planos com foco em reformas fiscais, estatização e direitos sociais

| Créditos: Ricardo Stuckert/PR


As propostas de governo divulgadas pelos candidatos à Presidência da República expõem visões de país divergentes para os próximos anos. Enquanto candidaturas do centro e da direita apostam em ajustes fiscais rigorosos, reformas estruturais e cooperação institucional, postulantes do campo da esquerda radical defendem a revogação de reformas passadas, a ampliação de direitos e a estatização de serviços essenciais.

Ronaldo Caiado (PSD): Foco em reformas estruturais e estabilidade fiscal

O candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, propõe a implementação de um programa político focado na transformação administrativa do país e na sustentabilidade das contas públicas. Caiado ressalta, no entanto, que a execução de suas propostas depende da reconstrução da governabilidade, da confiança da sociedade e da cooperação entre o Executivo e o Congresso Nacional.

Sustentabilidade Fiscal e Infraestrutura: Promete restabelecer a estabilidade das contas públicas, qualificar a mão de obra, modernizar a infraestrutura nacional e atrair investimentos mediante maior segurança jurídica.

Educação: Apresenta diretrizes inspiradas em sua gestão governamental em Goiás, priorizando a ampliação do ensino em tempo integral, o fortalecimento do ensino profissionalizante, a valorização dos professores e o combate ao abandono escolar.

Segurança Pública e Direitos das Mulheres: Defende o enduringcimento de penas para crimes graves e feminicídio — exigindo o cumprimento de ao menos 90% da pena para progressão do regime e o confisco de bens —, além de sugerir a criação da Secretaria Nacional da Segurança da Mulher, da Criança e Minorias.

Renan Santos (Missão): Ajuste fiscal de R$ 1,1 tri e reformulação de serviços públicos

O empresário Renan Santos, postulante à Presidência pelo partido Missão, apresentou um plano focado em um "ajuste fiscal urgente", com metas para economizar até R$ 1,1 trilhão até 2031. O programa prevê mudanças profundas na concessão de benefícios sociais e na estrutura das políticas públicas.

Ajuste Fiscal e Previdência: Propõe a desindexação de benefícios previdenciários e assistenciais do valor do salário mínimo (indexando-os apenas à inflação), a revisão do abono salarial, o combate aos "supersalários" e o encerramento da vinculação dos pisos constitucionais de Saúde e Educação à Receita Corrente Líquida da União.

Programas Sociais e Cidades: Defende a substituição do Bolsa Família por "Frentes Cidadãs" (trabalho remunerado comunitário) e propõe a tutela de prefeituras consideradas ineficientes por meio de uma comissão federal. No setor habitacional, sugere a "desfavelização" do país em dez anos via formalização de imóveis por hipotecas.

Segurança e Educação: Defende a decretação do "Estado de Defesa" contra o crime organizado, com a aplicação do "Direito Penal do Inimigo" e criação de tribunais especializados. Na educação, sugere a extinção das cotas sociais e raciais, o fim da autonomia universitária para alinhamento estratégico com a União e o encerramento das atividades do Ministério da Cultura, unificando-o ao da Educação.

Rui Costa Pimenta (PCO): Ampliação de investimentos, estatização e direitos trabalhistas

Representando o PCO, o candidato Rui Costa Pimenta estrutura seu programa de governo em 15 eixos centrais, pautados pelo fortalecimento do setor público, reajuste de remunerações e reversão das reformas econômicas e trabalhistas aprovadas em gestões anteriores.

Mercado de Trabalho e Renda: Defende a revogação das reformas trabalhista e previdenciária, com a fixação da aposentadoria máxima em 25 anos de serviço para mulheres e 30 para homens. Propõe ainda a redução da jornada de trabalho para 35 horas semanais (máximo de 7 horas diárias em 5 dias por semana), piso salarial de R$ 7,5 mil, reajuste emergencial de 50% nos salários e benefício do Bolsa Família de no mínimo um salário mínimo.

Saúde e Educação: Reivindica a expansão das verbas para a saúde e construção emergencial de postos e hospitais públicos. Para o setor educacional, defende a estatização de instituições privadas de ensino, o fim do vestibular e a contratação direta sem processo seletivo para cursos públicos de medicina e enfermagem.

Economia e Política Agrária: Propõe a anulação das dívidas dos trabalhadores com o sistema financeiro, a estatização de empresas privatizadas, o término da autonomia do Banco Central e a taxação exclusiva sobre grandes fortunas e capitalistas. Na área rural, advoga pelo assentamento imediato de famílias sem-terra, demarcação de terras indígenas e a liberação do porte de armas para trabalhadores do campo.

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