“STF 2026: Reality Show entre as togas”
- porAlcina Reis
- 16 de Setembro / 2026
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| Créditos: Reprodução/Instagram/@danuzioneto
Durante muito tempo, o Supremo Tribunal Federal foi visto pela população como o templo máximo da Justiça brasileira. Um lugar onde o equilíbrio, a serenidade e a sabedoria jurídica deveriam prevalecer acima das paixões políticas, dos interesses momentâneos e das disputas pessoais.
Mas os últimos acontecimentos exibidos para todo o país provocaram um sentimento desconfortável em muitos brasileiros: a impressão de que o respeito institucional deu lugar ao confronto aberto, às acusações mútuas e a um espetáculo que mais se parece com uma discussão de rua do que com um debate entre magistrados da mais alta Corte do país.
As sessões que deveriam ser lembradas pela profundidade dos argumentos jurídicos acabaram ganhando destaque pelas frases de efeito, pelos ataques pessoais e pelas trocas de acusações que rapidamente dominaram as redes sociais, os grupos de WhatsApp e as conversas nas esquinas.
Quando ministros trocam palavras duras diante das câmeras, não é apenas uma divergência jurídica que está sendo exposta. O que está em jogo é a imagem de uma instituição que deveria representar estabilidade em tempos de crise.
O cidadão comum, que enfrenta filas em hospitais, dificuldades econômicas, violência e insegurança, olha para Brasília esperando encontrar serenidade nas instituições. Em vez disso, assiste perplexo a ministros interrompendo uns aos outros, elevando o tom de voz e transformando divergências em embates pessoais.
A preocupação não está em quem tem razão ou quem está errado. Divergências fazem parte da democracia. O contraditório é saudável. O debate é necessário. O problema surge quando o respeito desaparece e o foco deixa de ser a lei para se tornar o ataque ao adversário.
O STF não é um programa de televisão. Não é um palanque político. Não é uma arena de gladiadores. É a Corte responsável por guardar a Constituição e servir de referência para todo o sistema de Justiça brasileiro.
Quando a população passa a comentar mais os insultos do que os votos, mais os gritos do que os argumentos, algo está fora do lugar.
Talvez a frase mais preocupante não tenha sido nenhuma das que viralizaram nas manchetes. Talvez seja o sentimento que ficou depois delas: a percepção de que as instituições também podem ser contaminadas pela polarização que tomou conta do país.
O Brasil precisa de juízes que convençam pela razão, não pelo volume da voz. Precisa de instituições fortes pelo exemplo, não pelo confronto. Precisa de equilíbrio, especialmente daqueles que têm a missão de interpretar a Constituição.
Porque quando a mais alta Corte do país vira assunto pelas brigas, e não pelas decisões, quem perde não é este ou aquele ministro.
Quem perde é a confiança do povo.
Por Alcina Reis






