Uso do Pix em viagens internacionais cresce com intermediação de fintechs e bancos


Desde o seu lançamento pelo Banco Central do Brasil, em novembro de 2020, o Pix consolidou-se como a principal ferramenta de transferências e pagamentos no mercado nacional. A rápida adesão e a eficiência do modelo brasileiro tornaram a plataforma uma referência global no setor de tecnologia financeira, incentivando outros países a estudarem mecanismos semelhantes. Com a expansão do uso no cotidiano, cresceu também a demanda de viajantes pela possibilidade de realizar transações no exterior utilizando a mesma tecnologia.

Atualmente, é possível efetuar pagamentos com o Pix fora do país, embora a modalidade funcione sob condições específicas e com certas restrições.

Como funcionam as transações no exterior

Diferente do ecossistema doméstico, ainda não existe um "Pix Internacional" padronizado ou diretamente gerido por autoridades centrais de diferentes governos. O funcionamento do sistema fora do território brasileiro baseia-se na atuação de bancos, fintechs e plataformas privadas de pagamento transfronteiriço.

Nesses casos, as empresas atuam como intermediárias entre a conta bancária do consumidor e o comércio local:

Processo de compra: O consumidor brasileiro utiliza o aplicativo do seu próprio banco ou carteira digital para escanear um QR Code fornecido pelo estabelecimento no exterior.

Conversão e débito: O valor da transação é debitado em reais da conta do comprador, aplicando-se as taxas de conversão cambial e encargos operacionais definidos pela instituição responsável.

Recebimento local: O comerciante estrangeiro recebe o valor convertido diretamente na moeda local do seu país.

Principais destinos e aceitação

A Argentina figura entre os principais mercados onde a aceitação do Pix ganhou tração expressiva, impulsionada pelo expressivo fluxo diário de turistas brasileiros. Lojas, restaurantes e prestadores de serviços no país vizinho adotaram a tecnologia por meio de parcerias com adquirentes locais e empresas de processamento financeiro.

Além da Argentina, a aceitação da ferramenta vem se expandindo gradualmente para pontos comerciais específicos e redes credenciadas em outros países da América Latina e em destinos internacionais populares entre brasileiros.

Projetos para integração futura

Paralelamente às soluções desenvolvidas pelo setor privado, o Banco Central do Brasil participa de grupos de trabalho e iniciativas de cooperação internacional com instâncias multilaterais e outros bancos centrais. O objetivo desses projetos é discutir a viabilidade de interconectar sistemas nacionais de pagamentos instantâneos de forma direta, promovendo maior agilidade e menor custo nas transações entre países.

Apesar dos estudos em andamento, não há uma data definida para o lançamento de uma infraestrutura governamental global unificada para transferências instantâneas. Por isso, a utilização do Pix fora do Brasil permanece dependente do credenciamento dos estabelecimentos às redes privadas de intermediação financeira.

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