Uso de bitucas de cigarro no asfalto reduz calor urbano e suporta tráfego veicular

| Créditos: Banco de imagens/Pixabay


Um estudo focado em engenharia viária demonstrou que a incorporação de bitucas de cigarro à massa asfáltica pode atuar diretamente na diminuição das temperaturas urbanas e no suporte ao tráfego veicular, além de oferecer uma solução sustentável para a gestão de resíduos de alta toxicidade.

Filtros de cigarro descartados contêm acetato de celulose e figuram entre os poluentes mais frequentes e prejudiciais nas cidades. Estima-se que cerca de 4,5 trilhões de unidades sejam descartadas incorretamente no meio ambiente a cada ano, liberando metais pesados e contaminando o solo e os recursos hídricos por longos períodos.

Metodologia de isolamento de poluentes

Para viabilizar o uso do material nas vias sem o risco de contaminação ambiental pelo contato com a água, pesquisadores desenvolveram uma técnica de encapsulamento químico. As bitucas foram revestidas com betume e cera de parafina antes de serem integradas à mistura asfáltica aquecida.

Os ensaios de laboratório indicaram que o tipo de substância selante determina a aplicação final do pavimento:

Betume: garantiu a estabilidade e a resistência mecânica necessárias para suportar veículos de tráfego pesado.

Cera de parafina: atendeu às exigências operacionais de vias destinadas ao tráfego leve.

Impacto térmico e ambiental

A adição dos resíduos altera a densidade da massa viária e eleva sua porosidade, gerando um pavimento mais leve sem comprometer a integridade estrutural.

Devido à redução na condutividade térmica, o material absorve e retém menos calor em comparação ao asfalto tradicional. Essa propriedade auxilia na mitigação do fenômeno das ilhas de calor nas áreas urbanas, ao mesmo tempo em que reduz a necessidade de extração de novas matérias-primas e evita o acúmulo desse tipo de lixo em aterros sanitários.

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