Tamanduá-bandeira resgatado inaugura atendimentos do CETAS de Três Lagoas e simboliza avanço na proteção da fauna
- porRedação
- 20 de Fevereiro / 2026
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Um Tamanduá-bandeira atropelado e em estado grave foi um dos primeiros animais silvestres a dar entrada no Centro de Triagem de Animais Silvestres (CETAS) de Três Lagoas, logo após a inauguração da unidade. O animal chegou bastante debilitado, com quadro clínico delicado, gerando apreensão quanto às chances de sobrevivência.
Após atendimento veterinário especializado e acompanhamento contínuo da equipe técnica, o tamanduá passou por tratamento, período de recuperação e reabilitação. Com a evolução positiva do quadro, foi considerado apto para retorno ao habitat natural e já foi devolvido à natureza, tornando-se símbolo da efetividade da nova estrutura.
O diretor-presidente do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), André Borges, destacou a relevância da unidade para o interior do Estado.
“A recuperação e a soltura desse tamanduá demonstram a importância do CETAS de Três Lagoas para a proteção da fauna silvestre. São ações como essa que reforçam o compromisso do Imasul com a conservação da biodiversidade e com o atendimento adequado aos animais vítimas de acidentes e outras situações de risco”, afirmou.
Demanda regional
O funcionamento efetivo do CETAS teve início em 15 de dezembro de 2025. Desde então, a unidade já realizou 137 atendimentos a animais silvestres, evidenciando a alta demanda na região Leste de Mato Grosso do Sul.
Até o momento, foram atendidos 114 aves, 21 répteis e dois mamíferos — incluindo um lobinho que deu entrada recentemente — demonstrando o perfil predominante da fauna recebida pelo centro.
Segundo o fiscal ambiental e chefe da Unidade Regional do Imasul em Três Lagoas, Rafael Alex Barbosa, os números reforçam a decisão estratégica de implantar a estrutura no município.
“Esses atendimentos mostram que a criação do CETAS em Três Lagoas foi uma decisão estratégica. A unidade permite respostas mais rápidas às ocorrências, reduz o tempo de deslocamento e aumenta significativamente as chances de recuperação e soltura dos animais”, ressaltou.
Integração com Campo Grande
A implantação do CETAS também contribui para a descentralização dos serviços antes concentrados no Centro de Reabilitação de Animais Silvestres (CRAS), em Campo Grande. Anteriormente, todos os animais feridos da região eram encaminhados à Capital, o que gerava sobrecarga na estrutura existente.
Para a gestora do CRAS/Imasul, Aline Duarte, a integração entre as unidades representa avanço importante na política estadual de proteção à fauna.
“O CETAS de Três Lagoas tem papel fundamental ao realizar a triagem e os atendimentos iniciais na própria região. Isso permite que o CRAS receba apenas os casos de maior complexidade, garantindo melhor organização do fluxo, mais eficiência no tratamento e melhores condições de recuperação para os animais silvestres”, explicou.
Infraestrutura inédita
O CETAS de Três Lagoas é a primeira estrutura do tipo na região e resulta de mais de dez anos de monitoramento ambiental, estudos técnicos e articulação entre o poder público e empresas instaladas no município. A unidade surge como resposta à realidade local, marcada por um corredor ecológico com extensas áreas de vegetação nativa, reflorestamento e matas ciliares.
O investimento total chega a aproximadamente R$ 1,7 milhão, com recursos de empresas parceiras como Suzano, Eldorado, Cargill, Curtume Três Lagoas, Omya do Brasil, International Paper, Nouryon, Sitrel, Proactiva, White Martins e Arauco. O Imasul também contribuiu com mobiliário, equipamentos, sistema de climatização, eletrodomésticos e veículo, garantindo plena funcionalidade à unidade.
Projetado com layout técnico específico para manejo e permanência temporária dos animais, o CETAS segue rigorosos padrões de segurança sanitária e bem-estar animal, conforme a legislação ambiental vigente.
O caso do tamanduá-bandeira reforça o papel estratégico da unidade no resgate, tratamento, reabilitação e reintrodução de animais silvestres, contribuindo diretamente para a preservação da fauna e o fortalecimento das políticas ambientais em Mato Grosso do Sul.






