Santa Casa de Campo Grande recebe R$ 4 milhões para reforçar atendimento

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A Santa Casa de Campo Grande terá um aporte emergencial de R$ 4 milhões para a compra de medicamentos e materiais médico-hospitalares. O recurso será utilizado para recompor estoques e contribuir para a manutenção da capacidade de atendimento da unidade.

O repasse foi formalizado por meio de convênio entre a Prefeitura de Campo Grande, o Governo de Mato Grosso do Sul e a Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande. Do total, R$ 1 milhão será destinado pelo município e R$ 3 milhões pelo Estado.

O documento foi assinado pela prefeita Adriane Barbosa Nogueira Lopes, pelo secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, pelo secretário estadual de Saúde, Maurício Simões Corrêa, e pelo representante da Santa Casa, Luiz Alberto Hiroki Kanamura, atual responsável pela gestão provisória da instituição.

O convênio terá duração de 120 dias, contados a partir da última assinatura, e passou por análise do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS).

O dinheiro chega em um período de dificuldades enfrentadas pelo hospital, que está sob intervenção judicial e registra reclamações relacionadas à demora na realização de procedimentos cirúrgicos.

Entre os casos está o de Izabel Cristina Ferreira, de 60 anos, que deu entrada na Santa Casa em 19 de setembro para realizar uma cirurgia relacionada a um tumor cerebral e, até esta terça-feira (6), ainda aguardava pelo procedimento.

Outro caso envolve Luís Fernando Floriano da Silva, vítima de um acidente de moto no domingo (4). Ele sofreu uma fratura no fêmur e, segundo familiares, a cirurgia necessária já foi adiada mais de uma vez.

Questões trabalhistas

A situação dos profissionais de enfermagem também está sendo discutida. A Santa Casa terá 15 dias para buscar soluções para denúncias de acúmulo e desvio de funções.

A medida foi estabelecida durante mediação entre o hospital, o Ministério Público do Trabalho (MPT) e o Sindicato dos Trabalhadores da Área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul (Siems).

Há relatos de enfermeiros e técnicos realizando atividades fora de suas atribuições, como transporte de pacientes e coleta de exames. Uma nova reunião de mediação está prevista para 19 de outubro, quando também deverá ser discutida a falta de profissionais responsáveis pelo transporte de pacientes.

Intervenção judicial

A Santa Casa passou a ser administrada provisoriamente após o afastamento da antiga direção, em meio às investigações da Operação Antidotum, que apura suspeitas de fraudes e desvios envolvendo contratos do hospital.

A então presidente Alir Terra Lima e outras cinco pessoas foram presas durante a operação. Segundo a investigação, o caso envolve contratos que teriam causado prejuízo estimado em pelo menos R$ 4,9 milhões.

A intervenção ocorre enquanto a Justiça acompanha a reorganização administrativa e financeira da instituição, que agora conta com Luiz Alberto Hiroki Kanamura na gestão provisória.

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