Polícia Federal apura origem de pagamentos em espécie no caso de desembargador afastado

| Créditos: Reprodução/Folha - UOL


A Polícia Federal apreendeu uma caixa com documentos, incluindo planilhas de controle de despesas e comprovantes de pagamentos, relacionados ao desembargador afastado Sérgio Martins, durante a Operação Última Ratio. Entre os registros, foram encontrados balanços que totalizam R$ 894.338,09 em despesas de 11 meses.

Desses valores, R$ 192.261,07 foram pagos em dinheiro, conforme comprovantes encontrados em sua residência. Outros R$ 143.467,85 não especificaram a forma de pagamento, mas a polícia aponta que muitos eram recibos manuais, comuns para pagamentos em espécie. Também foram identificados comprovantes de pagamentos realizados em lotéricas, uma prática associada ao uso de dinheiro em espécie.

Além disso, R$ 96.153,40 foram pagos por servidores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), como a assessora Victoria Nogueira, em dinheiro ou por meio das contas pessoais dos servidores. A polícia observou que os valores pagos por Sérgio Martins aos servidores não coincidiam com os repasses feitos a eles, indicando que os montantes desembolsados foram maiores que os valores repassados pelo desembargador.

A investigação revelou que, entre 2023 e 2024, Sérgio Martins fez apenas cinco saques em espécie, somando R$ 3.300,00, valor considerado irrisório diante das grandes transações em dinheiro. Além disso, a polícia identificou depósitos feitos em um terminal bancário no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, o que levanta suspeitas sobre a origem dos numerários.

Em resposta, Sérgio Martins afirmou que as despesas são pagas com seus proventos e doações de seu pai, um desembargador aposentado. A Polícia Federal questionou a plausibilidade dessa explicação, considerando a grande quantia em espécie envolvida e a prática de pagamentos em lotéricas e bancos. A polícia sugere que os valores podem ser oriundos de práticas ilícitas, como a venda de decisões judiciais, já que não há justificativa para o grande montante em espécie movimentado sem depósito em banco.

Compartilhe: