Pantanal registra a maior estiagem em 40 anos com área alagada caindo 75%

Área queimada na região do Paraguai-Mirim, Pantanal de MS. | Créditos: Foto: Corpo de Bombeiros de MS


A maior planície alagável do mundo, o Pantanal, atravessa uma crise hídrica que o coloca no período mais seco registrado nas últimas quatro décadas. Levantamento detalhado do MapBiomas, divulgado nesta quarta-feira (12), revela a drástica diminuição das áreas cobertas por água no bioma, um fenômeno diretamente ligado à perda de vegetação nas regiões de nascente.

O estudo indica que as áreas anualmente alagadas sofreram uma retração de 75% entre a primeira década analisada (1985-1994) e a mais recente (2014-2024). Em termos de superfície, a área hídrica diminuiu de 1,6 milhão de hectares para apenas 460 mil hectares no período.

O ano de 2024, em particular, foi classificado como o mais seco de toda a série histórica, com a área de inundação atingindo um patamar 73% abaixo da média.

Cientistas apontam que a intensidade da seca está intrinsecamente ligada às transformações no Planalto da Bacia do Alto Paraguai (BAP), que engloba as nascentes dos rios que fornecem água ao Pantanal. A redução da cobertura vegetal nativa no Planalto afeta o ciclo hidrológico, resultando em cheias menos significativas e estiagens mais severas e prolongadas na planície, aumentando o risco de incêndios florestais na região.

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