Ministério Público investiga fazenda por desmatamento de Mata Atlântica, tanques de peixe e silos irregulares

| Créditos: Foto: Reprodução/Autos


Uma propriedade rural localizada no município de Coronel Sapucaia (MS) tornou-se alvo de uma investigação conduzida pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). A apuração aponta supressão de vegetação nativa do bioma Mata Atlântica, além da instalação irregular de estruturas para piscicultura e armazenamento agrícola.

O inquérito fiscaliza a empresa PAP Empreendimentos e Participações, dona da Fazenda Manancial. O caso veio a público após levantamentos técnicos apontarem intervenções sucessivas na área ao longo dos últimos anos.

Irregularidades ambientais mapeadas

De acordo com análises do Núcleo de Geoprocessamento (Nugeo) do órgão ministerial com base em imagens de satélite, foram detectados indícios de desmatamento sem autorização em diferentes períodos entre 2009 e 2025, totalizando 10,71 hectares de vegetação nativa suprimida na região.

Em vistoria presencial realizada por forças de segurança e fiscalização ambiental, constatou-se que quatro tanques voltados à criação de peixes foram construídos dentro dos limites de uma Área de Preservação Permanente (APP). As estruturas utilizavam água captada de uma nascente local e provocaram a eliminação de vegetação nativa, convertendo o espaço em pastagem para gado.

Além disso, o monitoramento remoto identificou a presença de silos do tipo bag — utilizados para estocar silagem — instalados de maneira irregular no perímetro reservado para a Reserva Legal da propriedade.

Multas e desdobramentos

As fiscalizações aplicaram penalidades financeiras que somam R$ 87 mil à empresa responsável, divididas em autos de infração por danos causados à APP, intervenções na Reserva Legal e supressão de vegetação protegida pelo bioma Mata Atlântica.

A promotoria responsável notificou os representantes legais da fazenda para que apresentem esclarecimentos, documentações de regularidade ambiental e manifestem eventual interesse na celebração de um Termo de Ajustamento de Conducta (TAC). Os responsáveis pela propriedade mantiveram-se incontactáveis até o momento, mas o espaço permanece aberto para manifestações.

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