Lobista ligado a Daniel Vorcaro eleva capital de empresa para R$ 770 milhões com créditos de ação envolvendo hotel em Corumbá

| Créditos: Foto: Reprodução/Midiamax


O empresário Julio Cezar Miranda Avelino, apontado como lobista ligado ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, utilizou direitos creditórios relacionados a uma disputa judicial envolvendo um hotel de Corumbá, em Mato Grosso do Sul, para elevar o capital social de uma empresa a mais de R$ 770 milhões, em junho de 2026.

O caso envolve uma ação judicial iniciada em 2005, após uma cobrança do Banco do Brasil por um empréstimo concedido à empresa do setor hoteleiro. O financiamento, liberado em 1992, seria destinado à ampliação de uma pousada em Corumbá. Os proprietários alegaram que os recursos não foram disponibilizados conforme o combinado, o que teria provocado prejuízos e levado à perda do empreendimento.

A empresa ingressou na Justiça pedindo indenização pelos danos sofridos e pela perda do negócio, obtendo decisão favorável em primeira instância. Posteriormente, os proprietários negociaram direitos creditórios vinculados à possível indenização a ser paga pelo banco.

Parte desses créditos foi parar nas mãos de Julio Cezar Miranda Avelino. A utilização de direitos creditórios para compor o capital de uma empresa pode ser legal, mesmo quando o processo judicial ainda não chegou ao fim. Entretanto, a efetiva realização financeira desses ativos depende do desfecho da disputa.

Capital da empresa saltou de R$ 10 mil para mais de R$ 770 milhões

A empresa Exclusivo Participações registrou uma elevação expressiva de seu capital social, que passou de R$ 10 mil para R$ 770.343.156. Os registros empresariais também apontam a transferência das ações para a Julio Cezar Miranda Assessoria, sediada em Anápolis, Goiás.

Na sequência, a Exclusivo Participações transferiu sua sede para a avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo, e passou a operar como sociedade anônima de capital fechado. Avelino assumiu o controle integral da companhia e a presidência da empresa.

Embora o montante esteja relacionado a créditos cuja realização depende do resultado de uma ação judicial, o capital registrado pode produzir efeitos comerciais. Entre eles, estão o atendimento a determinadas exigências de licitações e a possibilidade de elevar o valor atribuído à companhia em operações de venda ou fusão.

Relação com Daniel Vorcaro chegou ao Palácio do Planalto

Julio Cezar Miranda Avelino também aparece na relação de Daniel Vorcaro com integrantes do governo federal. Em 1º de março de 2024, ele acompanhou o fundador do Banco Master em uma reunião no Palácio do Planalto, na Secretaria de Relações Institucionais (SRI).

Na ocasião, a pasta era comandada por Alexandre Padilha, do PT, que atualmente está à frente do Ministério da Saúde.

Reportagens sobre o caso relataram que uma proposta de delação premiada atribuída a Vorcaro teria mencionado supostas negociações envolvendo propinas e acesso a fundos de pensão de empresas estatais. A proposta não foi aceita, sob o argumento de insuficiência de provas.

Alexandre Padilha negou que ele ou integrantes de sua equipe tenham negociado propinas com Vorcaro e classificou as acusações como falsas. A existência da reunião, por si só, não comprova a prática de irregularidades.

O caso envolvendo os créditos judiciais de Corumbá chama atenção pelo volume financeiro utilizado na ampliação do capital empresarial e pela incerteza sobre a concretização dos valores vinculados ao processo contra o Banco do Brasil.

Em manifestação sobre a disputa, o banco informou que a liquidação da sentença está suspensa por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Com informações do Midiamax

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