Gaeco pede condenação de 23 investigados e perda de cargos de dez policiais em MS

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O Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), pediu à Justiça a condenação de 23 pessoas denunciadas na Operação Infiltrados, que apura um suposto esquema de desvio de drogas apreendidas por agentes de segurança pública para posterior comercialização com traficantes.

A denúncia também solicita a perda dos cargos públicos de dez agentes, entre eles o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, além do pagamento de R$ 10 milhões por danos morais coletivos. O Ministério Público ainda requer o confisco de dinheiro, veículos e imóveis relacionados às atividades investigadas.

O processo tramita na 2ª Vara Criminal de Campo Grande. A acusação, apresentada em 9 de outubro, tem 490 páginas e atribui aos denunciados, conforme a participação de cada um, possíveis crimes de organização criminosa, tráfico de drogas, corrupção, lavagem de dinheiro, peculato e violação de sigilo funcional.

Delegado e policiais estão entre os alvos

O pedido de perda dos cargos alcança o delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, além dos policiais civis Douglas Tobias, Luiz Carlos de Souza, Marcos André Santos Chaves, Nelson Ricardo Barros de Oliveira, Neverson Vieira de Araújo, Nilton Cesar Sales dos Santos, Roberto Palmeira da Silva e Augusto Torres Galvão Florindo. Também está incluído o policial penal Vitor Ribeiro Venâncio dos Santos.

Augusto Torres Galvão Florindo já foi excluído administrativamente da Polícia Civil. Mesmo assim, o Gaeco solicita que a perda do cargo também seja determinada no âmbito criminal, caso haja condenação.

A denúncia também envolve Lucas da Silva dos Santos, Ana Carolina da Silva dos Santos, Carlos Alberto Alves Fonseca, Eberth Batista de Almeida, Francisco Cristiano Ribeiro Soares, Jéssica da Silva dos Santos, Kyon Lucas Leodoro da Silva, Lavinia Carvalho da Luz, Matheus Gabriel Machado Bezerra, Paulo Sérgio Alves Duarte, Rayane Luiz Vieira, Valdenice da Silva Góes e Wesley Benite Matos Pereira.

Os promotores Antenor Ferreira de Rezende Neto, Eduardo de Araujo Portes Guedes, Gerson Eduardo de Araujo e Tiago Di Giulio Freire assinam a acusação.

Investigação aponta desvio de mais de meia tonelada de drogas

Segundo as apurações, o esquema teria funcionado entre 2021 e 2026, com o desvio de entorpecentes, especialmente cocaína, que deveriam permanecer sob custódia do Estado.

A investigação aponta duas formas de atuação: a omissão de parte das drogas nos registros oficiais das apreensões e a retirada de entorpecentes diretamente dos depósitos policiais. Posteriormente, as substâncias seriam repassadas a traficantes ligados ao grupo para comercialização no mercado ilegal.

O delegado Hoffman D’Ávila é apontado pela acusação como uma das principais figuras do esquema. Lucas da Silva dos Santos, conhecido como “LK”, teria atuado na negociação das cargas e na distribuição dos valores entre os envolvidos.

As investigações tiveram início em outubro de 2025, a partir de elementos identificados durante as operações Traquetos e Blindspot, também conduzidas pelo Gaeco.

Deflagrada em 24 de setembro de 2026, a Operação Infiltrados cumpriu mandados de prisão preventiva, prisão temporária e busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Terenos.

O pedido de indenização de R$ 10 milhões é fundamentado nos danos que, segundo o Ministério Público, teriam sido provocados à sociedade e à confiança nas instituições responsáveis pela segurança pública.

STJ determina soltura de advogado

Outro desdobramento do caso envolve o advogado Amilton Ferreira de Almeida, que defendia o delegado Hoffman D’Ávila. Ele foi preso em 29 de setembro, durante a segunda fase da investigação, denominada Operação Obstructio, que apurou suspeita de vazamento de informações sigilosas sobre a ação policial.

De acordo com a investigação, o advogado teria repassado informações que poderiam ter comprometido o cumprimento das medidas judiciais. Hoffman não foi encontrado em casa quando as equipes chegaram para cumprir os mandados e se apresentou posteriormente às autoridades.

Em 19 de outubro, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou a soltura de Amilton Ferreira de Almeida. A decisão resultou na expedição do alvará de soltura.

A defesa do advogado contesta a suspeita de vazamento e sustenta que a saída do delegado de casa antes da chegada das equipes policiais teria sido uma coincidência. Também solicita a retirada da tornozeleira eletrônica, a devolução da fiança e do celular apreendido.

As acusações contra os investigados ainda dependem da análise judicial e do andamento do processo. Os pedidos de condenação e de perda dos cargos apresentados pelo Gaeco não representam, por si só, uma condenação definitiva.

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