Justiça italiana adia novamente julgamento sobre extradição de Carla Zambelli ao Brasil
- porRedação
- 20 de Janeiro / 2026
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A Corte de Apelação de Roma adiou, nesta terça-feira (20), mais uma vez o julgamento do pedido de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli para o Brasil, onde ela foi condenada à prisão pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O novo adiamento ocorreu após o tribunal considerar que não houve tempo suficiente para analisar as informações encaminhadas pelo governo brasileiro sobre o local onde a ex-parlamentar deverá cumprir pena, caso seja extraditada.
Segundo a decisão, os magistrados italianos ainda precisam avaliar os dados referentes à Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, indicada pelas autoridades brasileiras como unidade para o cumprimento da pena. O processo deverá ser retomado na primeira quinzena de fevereiro.
Este é o segundo adiamento do caso. Em 18 de dezembro, a Corte já havia suspendido a análise após a defesa de Zambelli solicitar mais prazo para examinar documentos enviados pelo STF.
Carla Zambelli está presa na Itália desde julho do ano passado, aguardando a definição sobre o pedido formal de extradição feito pelo governo brasileiro. A solicitação ocorreu após a ex-deputada ser condenada em dois processos distintos no Supremo.
Na primeira condenação, Zambelli foi considerada culpada por participar da invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em ação realizada em conjunto com o hacker Walter Delgatti. Na segunda, ela foi condenada pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, em episódio ocorrido em outubro de 2022, quando perseguiu um homem armada pelas ruas de São Paulo.
Em informações enviadas à Justiça italiana, o relator do caso no STF, ministro Alexandre de Moraes, afirmou que o presídio indicado atende a padrões de salubridade, segurança e assistência às detentas, além de oferecer atendimento médico e cursos profissionalizantes. O ministro também destacou que a unidade nunca registrou rebeliões.
Zambelli deixou o Brasil dias antes do trânsito em julgado da primeira condenação, ou seja, antes do esgotamento de todos os recursos judiciais. A defesa sustenta que a ex-deputada é vítima de perseguição política e judicial, além de questionar as condições do sistema prisional brasileiro. Em outubro, o Ministério Público da Itália manifestou-se favoravelmente à extradição.
Além das condenações, Carla Zambelli perdeu o mandato parlamentar por decisão do STF, mesmo após a Câmara dos Deputados ter aprovado sua permanência no cargo. Conforme entendimento da Corte, parlamentares condenados a regime fechado por longo período devem perder automaticamente o mandato, já que ficam impossibilitados de exercer as funções legislativas.






