Justiça Federal Mantém Suspensão de Empresas Alvos de Operação Contra Tráfico Humano na Rota de MS a São Paulo

| Créditos: DIVULGAÇÃO/PF


A Justiça Federal em Corumbá determinou a continuidade do bloqueio das atividades de duas empresas paulistas investigadas no âmbito da Operação Libertad, deflagrada originalmente pela Polícia Federal (PF). A medida atinge uma cooperativa de transporte e uma confecção suspeitas de integrarem um esquema voltado ao tráfico de migrantes bolivianos e à exploração de trabalho irregular no Brasil.

De acordo com as investigações conduzidas pela 1ª Vara Federal de Corumbá, o esquema criminoso facilitava a entrada clandestina de estrangeiros pela fronteira sul-mato-grossense, com destino final a oficinas de costura em São Paulo, onde parte dos migrantes acabava submetida a condições análogas à escravidão.

Bloqueio e Movimentações Financeiras

Entre os alvos que permanecem com as portas fechadas estão a cooperativa rodoviária e uma empresa do setor têxtil. Relatórios de inteligência financeira anexados ao processo apontam transações vultosas e incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos. Em um dos casos analisados pela Justiça, movimentações de centenas de milhares de reais — caracterizadas pelo rápido fracionamento e repasse a terceiros — chamaram a atenção dos investigadores.

A transportadora envolvida na rota entre a Bolívia e a capital paulista também operava sem a devida chancela regulatória da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), utilizando redes sociais para divulgar serviços que prometiam assegurar a travessia de passageiros até o território brasileiro.

Para o Ministério Público Federal (MPF) e para o magistrado responsável pelo caso, o fluxo contínuo de recursos e o fracionamento de valores entre pessoas jurídicas e físicas do mesmo setor indicam indícios sólidos de continuidade delitiva, justificando a preservação das restrições comerciais.

Decisão Parcial

Embora a Justiça tenha mantido o rigor sobre a cooperativa de transporte e a confecção ligadas ao núcleo principal das apurações, outros estabelecimentos comerciais citados inicialmente na Operação Libertad obtiveram autorização para reabrir. A liberação ocorreu após a constatação de que, ao menos de forma preliminar, os elementos probatórios recolhidos contra essas outras marcas eram frágeis. Contudo, as investigações continuam em andamento para esclarecer por completo a extensão da rede de contrabando e tráfico de pessoas na região fronteiriça.

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