Justiça determina prisão de ex-parlamentar em desdobramento de investigação sobre jogos ilegais

| Créditos: ALEMS/Assembleia Legislativa de MS


O Poder Judiciário emitiu um mandado de prisão contra o ex-deputado estadual Roberto Razuk Filho, conhecido publicamente como Neno Razuk (PL). A medida decorre dos desdobramentos da chamada Operação Successione, uma apuração que tramita sob segredo de Justiça e mira uma rede voltada à exploração do jogo do bicho e crimes correlatos.

O político possui uma condenação em primeira instância fixada em 15 anos, 7 meses e 15 dias de reclusão pelos delitos de organização criminosa armada, roubo majorado e exploração de apostas ilegais. Até então, o investigado aguardava o julgamento de seus recursos em liberdade.

A perda do mandato parlamentar ocorreu em maio deste ano, após o Tribunal Eleitoral realizar uma recontagem oficial de votos. Com a destituição do cargo na Assembleia Legislativa, extinguiram-se também as prerrogativas institucionais ligadas à função legislativa, como o foro privilegiado, permitindo que as decisões judiciais seguissem os trâmites regulares da Justiça comum.

A referida investigação abrange ainda uma quarta fase, deflagrada no final de novembro do ano passado, cujo foco recaiu sobre o núcleo familiar do ex-deputado. Naquela ocasião, foram detidos seu pai, Roberto Razuk, e dois de seus irmãos, Jorge Razuk Neto e Rafael Godoy Razuk, sob a suspeita de integrarem a liderança da suposta estrutura criminosa.

Iniciada formalmente pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) em dezembro de 2023, a força-tarefa mapeia infrações que englobam corrupção ativa e passiva, lavagem de capitais, extorsão, violação de sigilo funcional e jogos de azar. Ao longo das buscas realizadas durante o processo investigativo, as equipes policiais apreenderam armas, munições, documentos de ocultação de patrimônio por meio de terceiros, quantias em dinheiro que somam mais de R$ 270 mil e centenas de terminais eletrônicos de apostas.

A defesa do ex-parlamentar, representada pelo advogado Roberto Razuk Neto, manifestou-se declarando que ainda não obteve acesso formal ao teor da ordem de prisão e que aguarda a análise do documento para apresentar qualquer posicionamento jurídico. Historicamente, o ex-deputado nega as acusações e reitera não possuir envolvimento com as atividades ilícitas citadas.

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