Justiça de Mato Grosso do Sul condena cinco homens por envolvimento em esquema de narcotráfico

| Créditos: Foto: Leandro Holsbach


A 1ª Vara Criminal da Comarca de Bataguassu proferiu a sentença que condena cinco homens envolvidos em uma organização voltada ao transporte e armazenamento de entorpecentes em território sul-mato-grossense. Somadas, as penas estabelecidas pela decisão judicial chegam a 44 anos de reclusão em regime fechado, referentes às prisões efetuadas durante a Operação Rottweiler, deflagrada conjuntamente pela Polícia Civil e pela Polícia Rodoviária Federal (PRF).

Entre os sentenciados estão o produtor rural Heitor de Azambuja Júnior, de 58 anos, e seu filho, o advogado Hélder Stefanes de Azambuja, de 34 anos. Também foram condenados Sérgio Antônio da Silva, de 45 anos; Valcir Morais Eugênio, de 38 anos; e o caminhoneiro Edilson de Souza Martins, de 51 anos.

Detalhamento das penas fixadas

A decisão proferida pelo magistrado determinou as seguintes sanções aos réus:

Valcir Morais Eugênio: 10 anos e 11 meses de reclusão, somados ao pagamento de 1.500 dias-multa.

Heitor de Azambuja Júnior: 9 anos e 11 meses de reclusão e 1.391 dias-multa.

Sérgio Antônio da Silva: 9 anos e 11 meses de reclusão e 1.391 dias-multa.

Hélder Stefanes de Azambuja: 8 anos e 10 meses de reclusão e 1.283 dias-multa.

Edilson de Souza Martins: 8 anos e 10 meses de reclusão e 1.283 dias-multa.

O juiz responsável pela decisão manteve a prisão preventiva de todos os implicados, negando o direito de recorrer da sentença em liberdade. O advogado cumpre custódia preventiva em cela especial no Presídio Militar, na capital do Estado, enquanto os demais permanecem custodiados na Penitenciária Estadual de Dourados.

Manifestação da defesa e recursos

A defesa do advogado sustenta que o investigado não possui qualquer ligação com o esquema ilegal, alegando que sua ida ao local da abordagem ocorreu estritamente para socorrer o pai após um mal-estar de saúde. A equipe jurídica classificou a decisão como genérica e confirmou ter recorrido ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul. Os representantes dos demais réus também ingressaram com apelações contra a sentença.

Dinâmica das prisões e estrutura logística

As investigações apontam que o grupo utilizava um sítio localizado na zona rural de Ribas do Rio Pardo, na região do Assentamento Mutum, como ponto estratégico para o transbordo das cargas. A propriedade recebia o entorpecente oriundo da fronteira com o Paraguai por meio de estradas de terra secundárias. Em razão da proximidade com a divisa do estado de São Paulo — a menos de 90 quilômetros do destino —, a estrutura facilitava o envio posterior do material para o mercado paulista.

No momento do flagrante policial, equipes aéreas e terrestres localizaram um caminhão antigo modelo Mercedes-Benz azul contendo 2,1 toneladas de maconha, além de uma caminhonete Ford F250 com malas em seu interior. As autoridades aguardaram no local a chegada de outros integrantes que haviam se deslocado para buscar um segundo caminhão, efetuando as prisões sequenciais e a apreensão de veículos, incluindo uma caminhonete Toyota Hilux.

A operação policial que culminou no desmantelamento do grupo recebeu a denominação "Rottweiler" devido à presença de cães de guarda mantidos na propriedade rural para segurança do depósito de drogas.

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