“O Peso da Inação nas Eleições 2026”
- porAlcina Reis
- 14 de Setembro / 2026
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| Créditos: IA /Conteúdo MS/Alcina Reis
Há assuntos que não podem entrar em uma campanha eleitoral apenas para preencher espaço em um plano de governo. A violência contra a mulher e o feminicídio são alguns deles.
Estamos diante de um problema grave, urgente e que exige muito mais do que discursos prontos, frases de efeito ou propostas colocadas no papel apenas porque determinado tema passou a ser obrigatório nas eleições.
Confesso que preferi esperar.
Não queria ser leviana, nem apontar o dedo antes da hora. Esperei para observar quais candidatos realmente empunhariam essa bandeira com convicção. Quem falaria sobre o assunto com a seriedade necessária. Quem apresentaria propostas capazes de proteger mulheres que vivem diariamente sob ameaça, medo e violência.
Até agora, porém, não surgiu aquele candidato ou candidata que faça o eleitor dizer: “É esse. Foi ele ou ela quem apresentou uma proposta concreta para proteger as mulheres.”
Quase todos falam sobre violência contra a mulher. Mas, muitas vezes, o tema aparece como o tradicional “feijão com arroz” das campanhas: está lá porque precisa estar, mas não ocupa o espaço de urgência que deveria ocupar.
E construir mais delegacias?
Claro que estruturas são importantes. Mas precisamos perguntar: para quê?
Uma mulher ameaçada não precisa apenas de mais paredes, móveis, placas ou prédios públicos. Ela precisa ser protegida, acolhida e amparada antes que a ameaça se transforme em agressão ou em uma notícia de feminicídio.
Precisa saber para onde ligar. Precisa ser atendida quando pedir socorro. Precisa encontrar profissionais preparados para compreender a gravidade da situação. Precisa de uma rede que funcione de verdade e não apenas depois que a tragédia acontece.
Porque depois da morte, infelizmente, não há mais proteção que possa ser oferecida àquela mulher.
Por isso, aos candidatos das eleições de 2026, fica uma sugestão simples: saiam dos gabinetes e procurem as mulheres que vivem sob ameaça. Escutem as vítimas, as famílias, os profissionais que trabalham diariamente com esses casos e as pessoas que conhecem a realidade de perto.
Perguntem a elas o que realmente funciona. O que falta. Onde o sistema falha. O que poderia impedir que uma ameaça terminasse em agressão e que uma agressão terminasse em feminicídio.
Mas façam isso com respeito.
Não procurem essas mulheres apenas para colocá-las no horário eleitoral gratuito, apertar uma mão, tirar uma fotografia e transformar sua dor em propaganda.
A mulher vítima de violência não precisa ser figurante de campanha.
Ela precisa ser ouvida.
Precisa ser protegida.
Precisa ser prioridade.
E quem pretende governar, legislar ou representar a população em 2026 deveria entender que combater a violência contra a mulher não pode ser apenas mais uma promessa eleitoral.
A proteção à vida das mulheres precisa estar entre as prioridades de qualquer projeto de governo. Não pode ser tratada como um capítulo secundário, uma obrigação burocrática ou apenas mais uma promessa de campanha.
Enquanto as propostas continuarem sendo construídas sem ouvir verdadeiramente quem vive sob ameaça, continuará existindo um abismo entre aquilo que se promete no palanque e aquilo que acontece nas ruas.
E nesse espaço entre a promessa e a realidade, quem paga a conta pode ser justamente a mulher que pediu proteção e não foi ouvida a tempo.
Porque nenhuma eleição pode ser mais importante do que uma vida.
(*Os candidatos que tiverem interesse, podem enviar seus projetos dessa pauta para divulgação no Conteúdo MS através do e-mail [email protected])
Por Alcina Reis

| Créditos: Criação Emmanuel Reis






