Israel e Hezbollah aceitam cessar-fogo a partir desta sexta (19), diz fonte


Israel e o grupo libanês Hezbollah concordaram com um cessar-fogo que deve começar às 16h, horário local, desta sexta-feira (19), disse uma autoridade de alto escalão dos Estados Unidos à agência de notícias Reuters.

"Hezbollah e Israel concordaram com um cessar-fogo", afirmou a fonte, sob condição de anonimato, acrescentando que negociadores dos EUA e do Catar elaboraram o acordo com a ajuda do Irã. "Entendemos que, após a troca de disparos hoje mais cedo, Israel e o Hezbollah agora estão em cessar-fogo."

Ataques israelenses no sul do Líbano mataram pelo menos 21 pessoas nesta sexta-feira (19) e deixaram 33 feridos, informou o Ministério da Saúde. Israel afirmou que os ataques, lançados durante a noite, tinham como alvo bases do Hezbollah em diversas áreas.

Os ataques desta sexta-feira ocorreram após quatro soldados israelenses terem sido mortos no sul do Líbano, por um dispositivo explosivo do Hezbollah que atingiu o um tanque, relataram as Forças de Defesa de Israel.

O ataque ocorreu apenas dois dias depois do presidente dos EUA, Donald Trump, ter assinado oficialmente um acordo com o Irã, que também deveria pôr fim aos combates no Líbano.

Esse representa um dos casos mais mortais para as forças israelenses no sul do país desde o início da guerra.

As Forças de Defesa de Israel afirmaram que estão investigando se um drone explosivo entrou por uma escotilha aberta no tanque ou se o tanque foi atingido por um míssil antitanque ou outro tipo de drone.

Em comunicado, o Hezbollah afirmou ter atraído um grupo de soldados para a área e aberto fogo, "alvejando três tanques Merkava com mísseis guiados, o que levou à sua destruição".

"Os combatentes continuaram a resistir às forças inimigas com uma intensa barragem de foguetes e projéteis de artilharia", declarou o grupo radical.

Reação israelense

Após a confirmação das mortes dos militares, o ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben Gvir, de ultradireita, afirmou que "todo o Líbano deveria arder".

"Para cada lágrima derramada por uma mãe israelense, mil mães libanesas deveriam chorar", afirmou Ben Gvir na rede social X. "Todo o Líbano deveria arder."

Ben Gvir tem pressionado repetidamente por ataques israelenses mais intensos no Líbano, incluindo contra a capital, Beirute, mesmo com Trump, obrigando Israel a reduzir os ataques.

“Com todo o respeito aos americanos, Israel precisa deixar claro para o mundo inteiro que o sangue de nossos filhos e a segurança de nossos cidadãos não estão em jogo”, declarou o ministro.

O ministro das Finanças de extrema-direita, Bezalel Smotrich, que afirmou ser uma “manhã difícil”, também conclamou a realização de greves punitivas no Líbano. “É hora de falar com fogo”, escreveu na rede social X. “De abrir os portões do inferno.”

As forças israelenses ocupam uma vasta faixa de território no sul do Líbano. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu deixou claro que não tem intenção de se retirar.

Exigência iraniana

O Irã solicitou garantias de que as hostilidades no Líbano cessarão antes de retomar as negociações com os Estados Unidos na Suíça, informou um diplomata com conhecimento do assunto à CNN.

“Os iranianos solicitaram garantias de que as hostilidades no Líbano cessarão, conforme estipulado no acordo assinado”, disse a fonte, acrescentando que “os mediadores estão trabalhando para resolver a questão”.

O diplomata descreveu as negociações planejadas como “temporariamente suspensas em decorrência dos ataques israelenses no Líbano”, sem especificar quando os mediadores esperam retomá-las.

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