Debate acalorado sobre construções na área de proteção do Parque do Prosa

| Créditos: Foto: Izaías Medeiros


A Câmara Municipal de Campo Grande realizou, na manhã desta sexta-feira, uma audiência pública para discutir os impactos de empreendimentos imobiliários no entorno do Parque Estadual do Prosa, em áreas como o Parque dos Poderes e Jardim Veraneio. A preocupação central foi o adensamento urbano em uma das últimas áreas de mata nativa do Cerrado na Capital.

A Comissão de Meio Ambiente propôs à prefeitura a suspensão de processos de licenciamento e concessão de alvarás na região até que estudos ambientais sejam concluídos. A vereadora Luiza Ribeiro, que convocou o debate, defendeu a preservação ambiental aliada ao desenvolvimento urbano, com respeito às normas legais. “Não somos contra a verticalização, mas ela precisa ser debatida com a sociedade”, afirmou.

O presidente da Câmara, vereador Papy, destacou que a Casa acompanha o tema e que, este ano, quatro leis urbanísticas devem ser discutidas: Plano Diretor, Uso do Solo, Outorga Onerosa e Lei do Silêncio. O vereador Jean Ferreira reforçou que o Parque representa patrimônio ambiental da cidade, enquanto o vereador Francisco lamentou os impactos sobre a fauna local, como a morte de quatis e antas.

Moradores, advogados, pesquisadores e representantes do setor da construção civil participaram da audiência. O engenheiro Thiago Macinelli alertou para os efeitos da impermeabilização do solo e risco de secas em córregos e nascentes. O promotor Luiz Antônio de Almeida afirmou que o Ministério Público já investiga a possível incompatibilidade de empreendimentos com a função da unidade de conservação.

Para a moradora Julia Dantas, o adensamento ameaça o Carandá Bosque, que já sofre com o aumento do tráfego. A advogada Giselle Marques criticou o uso da ideia de “vazios urbanos” para justificar prédios na região. Representantes do setor imobiliário, como Sinduscom e Secovi, defenderam segurança jurídica para investimentos e afirmaram que as construções seguem as regras atuais, mas concordaram com a necessidade de equilíbrio entre crescimento e preservação.

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