Candidatos com maiores patrimônios em MS somam R$ 188 milhões, com liderança de Reinaldo Azambuja e Zé Teixeira

| Créditos: Reprodução/ALEMS


Levantamento realizado junto à base de dados do sistema DivulgaCandContas, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), indica que as candidaturas registradas em Mato Grosso do Sul acumulam R$ 293,2 milhões em bens informados à Justiça Eleitoral. Deste montante, um grupo liderado pelos maiores declarantes do estado reúne R$ 188,3 milhões — o equivalente a 64,2% de toda a riqueza declarada no estado até o início de agosto.

Em seguida no volume total de bens informados por legenda aparecem o Progressistas (PP), com R$ 38,4 milhões distribuídos entre três postulantes (13,1% do total), e o Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), com R$ 31,6 milhões distribuídos entre 31 registros (10,8%). As agremiações têm até as 19h do dia 15 de agosto para submeter todas as solicitações de registro de candidatura.

Ranking e concentração dos maiores patrimônios

A liderança em valores declarados é do ex-governador e candidato ao Senado Reinaldo Azambuja, cujo patrimônio soma R$ 55,98 milhões — valor que sozinho corresponde a 19,1% de todos os recursos declarados no estado.

Na sequência do ranking estadual aparecem:

2º lugar: Zé Teixeira – R$ 45,77 milhões

3º lugar: Paulo Corrêa – R$ 21,30 milhões

4º lugar: Barbosinha – R$ 17,32 milhões

5º lugar: Eduardo Riedel – R$ 16,15 milhões

Apenas os três primeiros colocados somam 42% de todo o patrimônio informado no estado, enquanto o grupo dos dez maiores declarantes concentra 75,3% do montante global.

Em contrapartida, 32 candidatos informaram não possuir bens. Outros nove registraram montantes abaixo de R$ 100 mil. A metade inferior do universo de postulantes (54 pessoas) detém conjuntamente apenas 0,91% do total declarado. O menor valor positivo registrado é de Nelson Lords, com R$ 4.240,00.

Perfil dos bens e recortes demográficos

A composição dos bens declarados pelos líderes do ranking é predominantemente voltada ao setor agropecuário e imobiliário rural:

Reinaldo Azambuja: Declarou 3.343 cabeças de gado bovino (avaliadas em R$ 13,37 milhões), R$ 8,5 milhões em bens da atividade rural, R$ 6,5 milhões em benfeitorias, 80 mil sacas de milho (R$ 4 milhões) e uma aeronave Piper PA-34-220T (R$ 1,25 milhão).

Zé Teixeira: Concentra ativos em propriedades rurais nos municípios de Terenos (R$ 12,3 milhões) e Dois Irmãos do Buriti (R$ 12,2 milhões). No detalhamento de seus 600 bens, figuram "outros bens imóveis" (R$ 65,9 milhões), "outros bens e direitos" (R$ 37,6 milhões), bens da atividade autônoma (R$ 24,8 milhões) e terrenos (R$ 21,3 milhões).

Quanto ao perfil de ocupação entre os 20 maiores patrimônios, Azambuja declara-se produtor agropecuário; Zé Teixeira e Rodolfo Nogueira declaram-se pecuaristas; Paulo Corrêa registra-se como engenheiro; e Barbosinha como advogado. O atual governador Eduardo Riedel é o único no topo da lista a registrar o cargo público ocupado como profissão.

Desigualdades de gênero e raça

Gênero: Os 69 candidatos do sexo masculino acumulam R$ 270,6 milhões (92,3% do total). As 39 candidatas somam R$ 22,6 milhões (7,7%).

Cor/Raça: Os 55 candidatos autodeclarados brancos detêm 76,3% da riqueza declarada, com valor mediano de R$ 885,5 mil. Já entre os 40 candidatos pardos, a mediana fica em R$ 60,5 mil. Os cinco candidatos indígenas somam R$ 30 mil (0,01% do total), com mediana zero.

Variações patrimoniais e migração partidária

Entre os nomes que disputaram eleições anteriores, 18 candidatos declararam patrimônio mais de duas vezes superior ao informado no pleito anterior. As maiores variações absolutas ocorreram entre parlamentares em mandato:

CandidatoPatrimônio AnteriorPatrimônio AtualVariação AbsolutaVariação (%)
Marcio FernandesR$ 6,22 milhões (2022)R$ 13,72 milhões+ R$ 7,50 milhões+ 120,4%
Paulo CorrêaR$ 14,09 milhõesR$ 21,30 milhões+ R$ 7,21 milhões+ 51,1%
BarbosinhaR$ 11,00 milhões (2022)R$ 17,32 milhões+ R$ 6,32 milhões+ 57,5%
Rodolfo NogueiraR$ 7,76 milhõesR$ 13,45 milhões+ R$ 5,69 milhões+ 73,3%
Mara CaseiroR$ 2,58 milhões (2022)R$ 6,19 milhões+ R$ 3,61 milhões+ 140,1%

Por outro lado, o governador Eduardo Riedel registrou redução patrimonial: declarava R$ 20,74 milhões em 2022 e passou a declarar R$ 16,15 milhões, o que representa um decréscimo de R$ 4,60 milhões (-22,2%).

A recomposição das bancadas eleitorais também alterou a distribuição da riqueza entre os grupos. Dos 89 candidatos com histórico eleitoral prévio, 38 (42,7%) mudaram de legenda em relação à última disputa, promovendo migração expressiva dos maiores patrimônios do estado para novas siglas.

Teto de gastos e registros ao Governo do Estado

A Justiça Eleitoral manteve para o pleito atual os mesmos limites de gastos praticados em 2022 para Mato Grosso do Sul:

Governador (1º turno): R$ 6.226.082,16

Deputado Federal e Senador: R$ 3.176.572,53

Deputado Estadual: R$ 1.270.629,01

Para o Governo do Estado, foram oficializadas as inscrições das chapas formadas por Eduardo Riedel e Barbosinha, pela coligação "Fazendo o Futuro Acontecer", e por Lucien Rezende e Prof. Enfermeira Kaelly, pela federação PSOL/Rede. Os candidatos do PSOL declararam bens de R$ 500 mil e R$ 115 mil, respectivamente.

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