Além de Flávio Bolsonaro: veja políticos que deixaram o Brasil em meio a investigações no STF
- porR7
- 28 de Outubro / 2026
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| Créditos: Foto: Reprodução/Estadão
A saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil rumo aos Estados Unidos se soma aos casos do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, da ex-deputada Carla Zambelli e do ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) Alexandre Ramagem, que também deixaram o país em meio a investigações ou processos na Justiça brasileira.
A viagem de Flávio ocorreu mesmo após a Polícia Federal cancelar os passaportes dele. Além disso, o senador descumpriu uma ordem do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, que o proibiu de sair do Brasil. A Polícia Federal apura as informações sobre o deslocamento.
Os episódios anteriores envolvem situações jurídicas diferentes: há investigados, réus, condenados e pessoas que tiveram a extradição solicitada pelo Brasil. Relembre os principais casos.
Eduardo Bolsonaro
Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro deixou o Brasil em março de 2025 e se mudou para os Estados Unidos. À época, o então deputado federal afirmou que sofria perseguição política e que pretendia atuar no exterior contra decisões do STF.
Nos Estados Unidos, Eduardo articulou medidas de pressão contra autoridades brasileiras, incluindo sanções. A PGR (Procuradoria-Geral da República) o denunciou por suspeita de coação no curso do processo relacionado à investigação sobre a tentativa de golpe de Estado.
Posteriormente, o STF o tornou réu no caso e, em junho deste ano, o condenou a quatro anos e dois meses de reclusão, em regime inicial semiaberto. Neste mês, o ministro Alexandre de Moraes determinou o início do cumprimento da pena imposta ao ex-deputado e o cancelamento de seus passaportes.
Além disso, em dezembro de 2025, Eduardo perdeu o mandato parlamentar após a Câmara dos Deputados reconhecer o excesso de faltas. Em setembro deste ano, ele foi demitido da Polícia Federal por abandono do cargo.
Carla Zambelli
A ex-deputada federal Carla Zambelli deixou o Brasil também em 2025, após ser condenada pelo STF a dez anos de prisão por envolvimento na invasão dos sistemas do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).
A investigação apontou que o ataque, executado pelo hacker Walter Delgatti, resultou na inserção de um mandado de prisão falso contra Alexandre de Moraes no sistema.
Após deixar o país, Zambelli foi para a Itália, onde possui cidadania. Ela acabou presa em Roma, em julho do ano passado, após ser localizada pelas autoridades italianas. O Brasil solicitou sua extradição.
Em maio de 2026, a Justiça italiana negou a extradição relacionada ao caso do CNJ, e Zambelli foi colocada em liberdade.
A ex-parlamentar, no entanto, continua envolvida em outro processo de extradição, referente à condenação por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal contra um jornalista, em um episódio ocorrido em São Paulo, em 2022.
Alexandre Ramagem
Ex-diretor-geral da Abin durante o governo Jair Bolsonaro, Alexandre Ramagem deixou o Brasil em setembro de 2025 e foi para os Estados Unidos. A saída ocorreu apesar de uma determinação judicial que o proibia de deixar o país.
Ramagem saiu do país em meio ao julgamento no STF sobre a trama golpista relacionada à tentativa de impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após as eleições de 2022. Ele foi condenado a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão por envolvimento no caso.
Após a confirmação de que estava nos Estados Unidos, Moraes decretou sua prisão. O governo brasileiro também encaminhou às autoridades americanas um pedido de extradição.
Em abril de 2026, Ramagem foi detido por agentes do serviço de imigração dos Estados Unidos durante uma abordagem de trânsito na Flórida. Ele deixou a custódia dois dias depois, sem que os motivos fossem divulgados oficialmente. O ex-deputado segue no exterior.
Silvinei Vasques
Ex-diretor-geral da PRF (Polícia Rodoviária Federal), Silvinei Vasques também deixou o Brasil após ser condenado no processo relacionado à trama golpista.
Ele cumpria prisão domiciliar em Santa Catarina quando rompeu a tornozeleira eletrônica e fugiu para o Paraguai, em dezembro de 2025. As autoridades paraguaias o prenderam no dia seguinte, quando tentava embarcar para El Salvador com um passaporte falso.
Silvinei foi entregue à Polícia Federal brasileira e levado para Brasília. Ele foi condenado a 24 anos e seis meses de prisão por sua participação na trama golpista. Durante o segundo turno das eleições de 2022, a PRF realizou operações que atrasaram o deslocamento de eleitores, principalmente na região Nordeste.
Allan dos Santos
O blogueiro Allan dos Santos, fundador do canal Terça Livre e apoiador do ex-presidente Jair Bolsonaro, vive nos Estados Unidos desde 2020.
Em 2021, Alexandre de Moraes determinou sua prisão preventiva no contexto de investigações sobre a disseminação de notícias falsas e a atuação de grupos suspeitos de atacar as instituições democráticas. O ministro também solicitou sua extradição.
A extradição, contudo, não foi concretizada. Allan dos Santos permanece no exterior e é alvo de investigações e decisões judiciais brasileiras.
Jair Bolsonaro também deixou o país antes de Lula assumir
O ex-presidente Jair Bolsonaro viajou para os Estados Unidos em 30 de dezembro de 2022, dois dias antes da posse de Lula, em janeiro de 2023. Ele permaneceu por cerca de três meses em Orlando, na Flórida, e retornou ao Brasil em 30 de março daquele ano.
Em fevereiro de 2024, Bolsonaro passou duas noites na Embaixada da Hungria, em Brasília, dias depois de ter o passaporte apreendido pela Polícia Federal. O episódio foi analisado no contexto das investigações que envolviam o ex-presidente.
Posteriormente, Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão no processo da trama golpista. Em 2026, passou a cumprir a pena em prisão domiciliar.






