Após notificação do MPT, ex-deputada Bela Barros pede desculpas por ameaçar demitir petistas

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A ex-deputada estadual Bela Barros, de Dourados (MS), publicou um vídeo nas redes sociais para se retratar após declarar que demitiria funcionários que votaram no PT. O pedido de desculpas ocorreu cerca de uma hora depois de ela receber uma notificação do Ministério Público do Trabalho (MPT) sobre a possível ilegalidade da conduta.

Na manifestação, Bela Barros reconheceu que sua declaração foi inadequada e atribuiu a fala à tristeza provocada pelo resultado das eleições presidenciais. Segundo ela, as palavras publicadas anteriormente não refletiam quem realmente é.

A ex-parlamentar havia afirmado que, entre os sete restaurantes que disse possuir, um funcionário já teria sido demitido e outros oito poderiam perder o emprego “em nome de Jesus”. Ela também anunciou que deixaria de comprar de fornecedores ligados ao Partido dos Trabalhadores (PT).

A repercussão levou o vereador Franklin Schmalz (PT), de Dourados, a encaminhar uma denúncia ao Ministério Público do Trabalho para apuração de possível assédio eleitoral.

Bela Barros foi notificada às 16h44 de terça-feira (27) e publicou o vídeo de retratação às 17h50 do mesmo dia.

Ex-deputada afirma que não haverá demissões

Na gravação, Bela Barros afirmou que nenhum trabalhador foi demitido em razão das declarações e que não haverá dispensas motivadas pela posição política dos funcionários. Ela também alegou que os restaurantes são administrados pelos filhos, que, segundo sua versão, desconheciam as publicações.

Um dos filhos, Marcelo, também se manifestou para esclarecer que o restaurante Madre Maria é administrado por ele e pela esposa, sem participação da mãe na condução do negócio. Ele afirmou ainda respeitar clientes de diferentes posições políticas.

MPT alerta para possíveis irregularidades

O Ministério Público do Trabalho considera que ameaças de demissão, dispensas, restrições à contratação ou outras formas de retaliação motivadas pela escolha política dos trabalhadores podem configurar assédio eleitoral.

O procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo de Oliveira, ressalta que a liberdade de voto deve ser respeitada também no ambiente profissional. O órgão afirma que empregadores não podem utilizar sua posição para interferir nas escolhas políticas dos funcionários.

Pessoas que tenham sofrido ou presenciado situações desse tipo podem apresentar denúncias ao MPT por meio do portal oficial do Ministério Público do Trabalho, com possibilidade de registro remoto e sigiloso.

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