Tarcísio debate tarifa dos EUA com diplomata americano e cobra ação do governo federal
- porRedação
- 11 de Julho / 2025
- Leitura: em 8 segundos

Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) | Créditos: Rovena Rosa/Agência Brasil
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), reuniu-se nesta sexta-feira (11) com o encarregado de negócios da embaixada dos EUA, Gabriel Escobar, para discutir os impactos da tarifa de 50% que o ex-presidente Donald Trump pretende impor às exportações brasileiras a partir de 1º de agosto.
Em publicação no X (antigo Twitter), Tarcísio afirmou que a medida afetará a indústria, o agronegócio e empresas americanas, e prometeu abrir diálogo com o setor privado paulista para buscar soluções. "A responsabilidade é de quem governa", escreveu, sem citar diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas reforçando a necessidade de negociação.
Impactos econômicos em São Paulo
São Paulo é o estado mais afetado pela possível tarifa, respondendo por um terço das exportações brasileiras aos EUA, que totalizaram US$ 40,3 bilhões em 2023, segundo a Amcham Brasil.
Tensão política
A declaração de Tarcísio gerou reações do governo federal. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), acusou o governador de "errar muito" ao responsabilizar o Planalto pela decisão de Trump, classificando-a como um "golpe à soberania nacional". Já o ministro da Casa Civil, Rui Costa, criticou Tarcísio por "apoiar medidas que prejudicam a economia paulista".
O governador rebateu, afirmando que Haddad "deveria cuidar da economia" e que "narrativas não resolvem o problema". Na quarta-feira (9), Tarcísio havia culpado Lula por priorizar "ideologia" em detrimento de negociações comerciais.
EUA no centro da polêmica
Gabriel Escobar, principal representante diplomático dos EUA no Brasil desde janeiro, foi convocado pelo Itamaraty na quarta-feira (9) para esclarecer o apoio da embaixada a Jair Bolsonaro e a veracidade da carta de Trump sobre a tarifa.
Disputa eleitoral em jogo
Analistas veem o embate como reflexo da polarização pré-eleitoral. Pesquisas apontam Lula e Tarcísio empatados em cenários para 2026. Enquanto o governo associa a tarifa a Bolsonaro e aliados, o ex-presidente e seu filho, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), celebraram a medida nas redes sociais. Haddad sugeriu que a família Bolsonaro estaria envolvida em uma "conspiração" para desestabilizar o país.
O governo paulista nega apoio à tarifa, mas insiste na necessidade de ação federal para mitigar seus efeitos. A discussão deve se intensificar à medida que a data de implementação se aproxima.






