Saúde reforça monitoramento sanitário na fronteira com a Venezuela após crise internacional

Ministério da Saúde | Créditos: MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL

O Ministério da Saúde enviou uma equipe da Força Nacional do Sistema Único de Saúde (SUS) para o estado de Roraima, que faz fronteira com a Venezuela, com o objetivo de monitorar o cenário sanitário da região diante do agravamento da crise internacional no país vizinho. A medida visa avaliar a capacidade de resposta do sistema de saúde frente a um eventual aumento do fluxo migratório.

De acordo com nota oficial, a missão tem como foco o levantamento das estruturas hospitalares existentes, disponibilidade de profissionais de saúde, estoques de vacinas e outros insumos estratégicos. Paralelamente, o ministério trabalha na elaboração de um plano de contingência para garantir resposta rápida do SUS caso haja crescimento da demanda por atendimentos na região fronteiriça.

“Até o momento, o fluxo migratório segue o mesmo na região”, informou o Ministério da Saúde, ressaltando que a ação é preventiva e busca antecipar possíveis impactos decorrentes do atual contexto geopolítico.

As equipes enviadas a Roraima possuem experiência em situações de emergência e tragédias, segundo a pasta, e estão mapeando a capacidade de ampliação das unidades de saúde locais. Caso seja necessário, o governo federal poderá instalar hospitais de campanha e expandir estruturas já existentes para evitar sobrecarga no sistema público.

O ministério também informou que está à disposição da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) para prestar ajuda humanitária, incluindo o fornecimento de medicamentos e insumos para diálise. A medida considera que o principal centro de distribuição de saúde da cidade venezuelana de La Guaira foi destruído após recentes ataques.

Em nota, a pasta reforçou o compromisso do Brasil com o atendimento universal. “O Ministério da Saúde reafirma o papel do SUS como referência internacional ao garantir assistência médica integral a todas as pessoas em solo nacional. Para imigrantes em cidades de fronteira, esse direito é assegurado, independentemente do status migratório ou nacionalidade”, destacou.

Contexto internacional

A intensificação do monitoramento ocorre após ataques registrados no último sábado (3) em Caracas, capital da Venezuela, atribuídos aos Estados Unidos. Durante a ofensiva, o presidente venezuelano Nicolás Maduro e a primeira-dama Cilia Flores foram capturados por forças norte-americanas e levados para Nova York.

O episódio marca uma nova intervenção direta dos EUA na América Latina, algo que não ocorria desde 1989, quando o país invadiu o Panamá para capturar o então presidente Manuel Noriega. Washington acusa Maduro de liderar um suposto cartel de drogas, alegação contestada por especialistas e autoridades venezuelanas.

Diante desse cenário, o governo brasileiro acompanha com atenção os desdobramentos humanitários e sanitários, reforçando a atuação do SUS como ferramenta estratégica de proteção à saúde pública nas regiões de fronteira.

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