Romeu Zema protocola pedido de impeachment de Alexandre de Moraes no Senado

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), protocolou nesta segunda-feira (9) um pedido de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes.

O documento foi apresentado ao Senado e é assinado pelo presidente nacional do Partido Novo, Eduardo Ribeiro, além de deputados e senadores da sigla — com exceção do deputado Ricardo Salles (SP). O texto também conta com apoio de aliados do partido, entre eles o ex-deputado Deltan Dallagnol.

Motivo do pedido

O pedido tem como base a divulgação de supostas conversas entre Moraes e o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Segundo o documento, o ministro teria sido “desidioso no cumprimento do cargo” e teria agido de forma incompatível com a honra, dignidade e decoro da função — condutas que, segundo os autores, configurariam crimes de responsabilidade.

O texto afirma que Moraes teria participado de encontros reservados com o empresário para tratar de assuntos junto a autoridades públicas, com o objetivo de favorecer interesses empresariais do grupo ligado ao Banco Master.

Além disso, o pedido cita possíveis irregularidades como tráfico de influência, corrupção passiva, advocacia administrativa e lavagem de dinheiro. As acusações também mencionam contratos de prestação de serviços firmados entre o banco e o escritório de advocacia da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes.

No documento, os autores solicitam ainda o afastamento cautelar de Alexandre de Moraes do cargo enquanto as denúncias seriam analisadas.

Declarações de Zema

Ao comentar o caso com jornalistas, Zema afirmou que a situação gera desgaste para o Judiciário brasileiro.

“Esses envolvidos se julgam acima da lei, se julgam intocáveis. Está ficando muito ruim para o Poder Judiciário o que está acontecendo no Brasil”, declarou o governador.

Ele também criticou o que chamou de silêncio de instituições e autoridades, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Análise cabe ao Senado

De acordo com a legislação brasileira, pedidos de impeachment contra ministros do STF devem ser analisados pelo Senado. Cabe ao presidente da Casa, Davi Alcolumbre, decidir se o processo será ou não aberto.

Este é o décimo pedido de impeachment contra ministros do STF protocolado em 2026. Outros requerimentos também foram apresentados contra o ministro Dias Toffoli, igualmente relacionados a supostas relações com o empresário Daniel Vorcaro.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, dados extraídos do celular de Vorcaro indicariam diálogos envolvendo investigações que tramitavam na Justiça Federal de Brasília, além de conversas sobre a organização de um fórum jurídico realizado em Londres em abril de 2024.

Até o momento, o Supremo Tribunal Federal não se manifestou oficialmente sobre o novo pedido apresentado ao Senado.

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