Qualificação profissional avança em presídios de MS e amplia chances de ressocialização

Com foco na ressocialização e na redução da reincidência criminal, a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) tem intensificado ações de qualificação profissional para pessoas privadas de liberdade em Mato Grosso do Sul. A iniciativa fortalece a educação como um dos pilares da política penitenciária, transformando unidades prisionais em espaços de aprendizado e reintegração social.

De acordo com a instituição, cerca de 2 mil vagas em cursos presenciais já estão garantidas para 2026, abrangendo áreas como marcenaria, serralheria, construção civil, corte e costura, informática, serviços administrativos e estética. As oportunidades são ampliadas por parcerias, como o projeto “Ajufe por um Mundo Melhor”, da Associação dos Juízes Federais do Brasil, que oferece cursos a distância em diversas áreas.

Para o diretor-presidente da Agepen, Rodrigo Rossi Maiorchini, o investimento vai além da capacitação técnica. “Investir em educação e trabalho no sistema prisional é investir em segurança pública e cidadania, criando caminhos concretos para a reconstrução de vidas”, afirma.

Parcerias ampliam oportunidades

Em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), 160 internos serão capacitados em cursos como elétrica básica, marcenaria, costura, manutenção de ar-condicionado e assistente administrativo. Em cidades como Paranaíba e Ponta Porã, outros 280 reeducandos participam de formações na construção civil, atuando em obras dentro das próprias unidades prisionais.

O cronograma inclui ainda 800 vagas por meio da Fundação do Trabalho de Mato Grosso do Sul (Funtrab), 70 oportunidades pelo Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) e 140 vagas para formação de encanadores hidráulicos em parceria com a Águas Guariroba.

Além de preparar para o mercado de trabalho, a educação também contribui para a remição de pena: a cada 12 horas de estudo, um dia é reduzido da pena.

Oportunidade de recomeço

No Instituto Penal de Campo Grande, o curso de marcenaria é um exemplo da transformação promovida. Segundo o instrutor do Senai, Rafael Oliveira Uchôa Santos, os participantes saem preparados para atuar profissionalmente.

Para os internos, a qualificação representa uma nova perspectiva de vida. Gilmar Mendes da Silva destaca a oportunidade de conquistar uma profissão e até empreender após cumprir a pena. Já Whoshington da Silva Lopes ressalta que o aprendizado vai além da técnica: “Ganhamos uma chance real de recomeçar e sustentar nossa família”.

As ações já estão em andamento em unidades da Capital e do interior, incluindo cursos voltados ao público feminino, com horários adaptados à rotina das internas.

Para a diretora de Assistência Penitenciária, Maria de Lourdes Delgado Alves, o objetivo é claro: promover transformação social por meio da educação. “A qualificação profissional é uma ferramenta efetiva para construir novos caminhos e reintegrar essas pessoas à sociedade”, conclui.

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