Procura por tratamento para vício em apostas virtuais via teleatendimento cresce em Mato Grosso do Sul
- porRedação
- 03 de Setembro / 2026
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| Créditos: JOÉDSON ALVES/AGÊNCIA BRASIL
O Sistema Único de Saúde (SUS) registrou mais de 300 cadastros de moradores de Mato Grosso do Sul em sua plataforma de teleatendimento voltada ao tratamento do vício em apostas e jogos virtuais durante o período de seis meses. O serviço, oferecido por meio do aplicativo Meu SUS Digital em parceria com o Hospital Sírio-Libanês, foi lançado nacionalmente para facilitar o acesso de pessoas afetadas pelo jogo compulsivo.
Em todo o país, a ferramenta digital contabilizou mais de 27,7 mil inscritos no período, o que levou o Ministério da Saúde a expandir significativamente a capacidade de suporte remoto, saltando de um teto mensal de 600 atendimentos para 100 mil teleconsultas. A modalidade virtual visa diminuir barreiras como o estigma e a vergonha associados à busca de ajuda em unidades físicas.
Além da opção on-line, a rede pública de saúde dispõe de suporte presencial em Unidades Básicas de Saúde (UBS) e nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
Funcionamento do suporte digital
O fluxo de atendimento pelo aplicativo é estruturado nas seguintes etapas:
Autoavaliação inicial: O usuário realiza um teste preliminar para mensurar a relação com os jogos eletrônicos e de apostas.
Cadastro dos dados: Inserção das informações pessoais, indicando se a busca é própria ou para um familiar.
Agendamento e notificação: Confirmação da consulta, emissão de protocolo e envio do link de acesso para a videochamada com instruções prévias.
Sessões de acompanhamento: As teleconsultas têm duração aproximada de 50 minutos e ocorrem semanalmente. O ciclo recomendado prevê cerca de 10 sessões antes de uma reavaliação clínica para alta, prorrogação ou encaminhamento para a rede presencial.
Diagnóstico e panorama local
Especialistas em saúde mental enfatizam que a identificação precoce do comportamento compulsivo — condição classificada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como ludopatia — reduz danos psicológicos e financeiros. Sinais de alerta incluem a perda do controle sobre o tempo e o dinheiro investidos, isolamento social, reações agressivas a prejuízos e o descumprimento de obrigações financeiras essenciais para manter as apostas.
Dados estatísticos do Ministério da Fazenda indicam que cerca de 3,35% da população da capital, Campo Grande (equivalente a aproximadamente 32,5 mil pessoas), pratica apostas virtuais. Embora o número represente um contingente populacional superior ao de grande parte dos municípios do estado, o percentual de praticantes na capital sul-mato-grossense figura entre os mais baixos comparado a outras capitais brasileiras, como o Rio de Janeiro, onde a taxa alcança 26,89% da população.






