Presos apontados como líderes do Comando Vermelho são transferidos para presídio federal após suspeita de ordenar ataques em Três Lagoas

| Créditos: Divulgação


Dois homens apontados pela Polícia Civil como integrantes da liderança do Comando Vermelho foram transferidos para a Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte, após investigações indicarem que eles continuavam exercendo influência sobre integrantes da organização criminosa mesmo estando presos em Cuiabá (MT).

Bruno Rafael da Conceição e Bruno Jorge da Silva são investigados por supostamente determinar ações criminosas em Três Lagoas, no leste de Mato Grosso do Sul. Segundo a apuração policial, pelo menos três ataques ocorridos recentemente na cidade estariam relacionados às ordens atribuídas aos dois detentos.

As investigações apontaram que a prisão em Mato Grosso não teria impedido a comunicação dos suspeitos com integrantes da facção que permaneciam em liberdade. Eles são suspeitos de manter uma estrutura de comando e de participar da articulação de crimes ligados à disputa territorial entre o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC).

A situação ganhou maior atenção após uma sequência de ataques registrada em Três Lagoas durante o mês de maio. Em um intervalo de três dias, a cidade teve ocorrências violentas, incluindo mortes, que passaram a ser investigadas dentro do contexto da disputa entre as organizações criminosas.

Transferência para Mossoró

Diante dos indícios reunidos pela Polícia Civil, foi solicitado à Justiça que os dois presos fossem incluídos no Sistema Penitenciário Federal. O pedido recebeu manifestação favorável do Ministério Público de Mato Grosso do Sul e posteriormente foi autorizado pela Justiça Federal.

Os dois foram retirados da Penitenciária Central de Cuiabá e encaminhados à unidade federal de segurança máxima em Mossoró.

Na decisão, foram considerados fatores como a periculosidade atribuída aos investigados e os indícios de que eles ocupavam posições de liderança dentro da organização criminosa. Também pesou a avaliação de que a permanência no sistema prisional estadual não teria sido suficiente para impedir a continuidade das ações atribuídas a eles.

Com a transferência, a expectativa das autoridades é reduzir a possibilidade de comunicação dos presos com integrantes da facção e interromper a estrutura de comando que, segundo as investigações, estaria relacionada aos episódios de violência registrados em Três Lagoas.

Medida inédita para MS

De acordo com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública, esta é a primeira vez que uma solicitação apresentada por Mato Grosso do Sul resulta na transferência, diretamente para o sistema penitenciário federal, de presos que estavam custodiados em outro Estado.

A medida foi adotada em razão dos reflexos das ações atribuídas aos detentos em território sul-mato-grossense, apesar de eles já estarem cumprindo pena em Mato Grosso.

A estratégia também poderá ser utilizada em outros casos nos quais investigações indiquem que pessoas presas em outros Estados continuam exercendo funções de liderança e determinando ações criminosas com consequências em Mato Grosso do Sul.

No caso de Três Lagoas, as investigações sobre os ataques e sobre a atuação de outros integrantes das facções continuam.

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