Prefeita propõe escalonamento ao reajuste salarial após conversar com servidores

| Créditos: Arquivo/Divulgação


A prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes (PP), surpreendeu a Câmara Municipal ao recuar da votação de um acordo para reajustar seu próprio salário e, consequentemente, o de 474 servidores municipais que têm o vencimento da chefe do Executivo como teto. A decisão, tomada de última hora, ocorreu nesta terça-feira (15) e frustrou vereadores que esperavam deliberar sobre o tema.

Segundo o líder da Câmara, Roberto de Avelar (Beto Ovelar, PP), a prefeita manifestou o desejo de dialogar diretamente com as categorias de servidores envolvidas para apresentar uma proposta de reajuste escalonado em três etapas, visando diluir o impacto financeiro nas contas públicas. A sugestão inicial de Lopes prevê um aumento de 40% imediato, seguido de 35% em abril de 2026 e os 25% restantes no ano subsequente.

O debate sobre o salário da prefeita se arrasta desde 2023, quando um reajuste aprovado foi posteriormente barrado pela Justiça, que considerou inconstitucional a aplicação do aumento durante o mesmo mandato. Uma liminar obtida pela própria Adriane Lopes no início deste ano suspendeu a aplicação do reajuste, alegando ausência de estudo de impacto orçamentário.

A situação impacta diretamente um grupo de servidores, como procuradores, auditores e alguns profissionais de saúde, que aguardam o reajuste do teto salarial para terem seus próprios vencimentos aumentados. A proposta em discussão elevaria o salário da prefeita para R$ 35,4 mil, gerando um impacto anual estimado em R$ 87,1 milhões.

O presidente da Câmara, Epaminondas Vicente Silva Neto (Papy, PSDB), expressou surpresa e frustração com o recuo da prefeita, afirmando que um acordo com dados técnicos da prefeitura sobre o impacto financeiro já havia sido costurado. A expectativa era que a aprovação pela Câmara, seguida do aval do Judiciário e do Ministério Público, resolvesse o impasse do reajuste em meio ao mandato.

Apesar do revés, Papy garantiu que a Câmara Municipal continuará buscando uma solução para a questão. A retomada da discussão na Casa legislativa só deverá ocorrer após um entendimento entre a prefeitura e as representações dos servidores.

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