Polícia Militar de Mato Grosso do Sul se manifesta sobre morte de Gabriela dos Santos

A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul divulgou, na tarde desta terça-feira (17), nota oficial nas redes sociais sobre a abordagem que terminou na morte da travesti Gabriela dos Santos, de 24 anos, na segunda-feira (16), na região central de Campo Grande.

O caso ocorreu no cruzamento da Avenida Calógeras com a Rua 15 de Novembro. Gabriela foi baleada após, segundo a corporação, desarmar um policial militar durante uma luta corporal.

Na nota, a PMMS afirmou que não há evidências de prática sistemática ou direcionada da instituição contra qualquer grupo social. Segundo o posicionamento oficial, a ocorrência evoluiu de uma abordagem para confronto físico.

“Durante a ação, a arma de um policial foi tomada e apontada contra a equipe. Nesse cenário, configurou-se risco concreto e imediato à vida dos agentes e de terceiros”, diz trecho do comunicado.

A corporação também esclareceu que os protocolos de uso da força não se baseiam na contagem de disparos, mas na necessidade de cessar a ameaça. “A atuação ocorre até que o risco seja neutralizado, especialmente quando há arma de fogo envolvida e direcionada contra policiais e/ou terceiros”, acrescenta a nota.

Câmeras registraram confronto

Imagens de câmeras de segurança de um estabelecimento registraram a ocorrência. Nos vídeos, é possível ver a viatura da Polícia Militar estacionada na Rua 15 de Novembro quando um grupo de pessoas em situação de rua se aproxima.

Conforme o boletim de ocorrência, a equipe realizava abordagem na Praça Antonino após denúncias de que o grupo estaria promovendo “arruaça” e causando transtornos. Durante a intervenção, houve resistência e luta corporal. Um dos policiais teria sido agredido com um tapa no rosto.

Ainda segundo o registro policial, no meio da confusão Gabriela teria tomado a arma de um dos militares e apontado contra a equipe. O outro policial então efetuou disparos. Ela foi atingida no abdômen, na perna direita e no quadril. A morte foi confirmada na UPA Coronel Antonino.

Repercussão e posicionamentos

O caso gerou repercussão nas redes sociais e entre entidades. A Associação de Travestis e Transexuais de Mato Grosso do Sul manifestou respeito à PMMS, mas repudiou a ação policial.

Em nota, a entidade afirmou que, embora apontar uma arma contra policiais não seja a melhor escolha e possa ensejar legítima defesa, não se pode ignorar o histórico de violência e discriminação enfrentado por travestis e transexuais no Brasil.

O irmão de Gabriela, que a tratava pelo pronome masculino, lamentou a morte nas redes sociais. Ele relatou ter tentado ajudá-la a sair da dependência química e afirmou que o episódio ocorreu no dia do aniversário dela.

O corpo foi encaminhado ao Instituto de Medicina e Odontologia Legal (Imol), e o caso segue sob apuração das autoridades competentes.

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