PF pede suspeição de Dias Toffoli em investigação do Banco Master após troca de mensagens com banqueiro
- porRedação
- 12 de Fevereiro / 2026
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Perícias em celular de Daniel Vorcaro apontam menções diretas ao ministro; caso foi encaminhado ao presidente do STF, Edson Fachin
A Polícia Federal (PF) oficializou, na noite de quarta-feira (11), um pedido de suspeição do ministro Dias Toffoli ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin. A solicitação busca afastar Toffoli da relatoria do inquérito que investiga irregularidades envolvendo o Banco Master.
A medida foi adotada após perícias realizadas em aparelhos celulares do banqueiro Daniel Vorcaro revelarem mensagens com menções diretas ao nome do ministro, além de diálogos entre ambos. Diante do conteúdo encontrado, a cúpula da PF decidiu encaminhar o material diretamente à presidência do STF, já que Toffoli, como relator do caso, seria o destinatário natural das novas informações.
Segundo apurado, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, reuniu-se com o ministro Edson Fachin para tratar do fluxo processual adequado para análise do pedido.
Parlamentar defende transparência
Para um parlamentar ouvido pelo Jornal Midiamax, as mensagens reforçam a necessidade de total transparência nas investigações. “Eu acredito que essas conversas apenas confirmam a necessidade e a importância de uma ampla e transparente investigação sobre o caso do Banco Master, o que já está sendo feito pela Polícia Federal”, afirmou.
O deputado também comentou sobre a atuação da PF nos últimos anos. “Desde 2023, com o retorno do Lula à Presidência, a PF tem tido total liberdade para fazer seu trabalho. Isso é muito bom para o combate à corrupção. E isso é sempre importante de ressaltar, porque até 2022 a PF sofria forte interferência da Presidência”, declarou.
Além da investigação policial, uma CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) deve ser instaurada no Congresso para apurar o caso do Banco Master. “Nós mesmos, do PT, já assinamos pedidos a respeito”, completou o parlamentar.
Relações comerciais sob escrutínio
A permanência de Toffoli na relatoria do caso já vinha sendo questionada por conta de relações comerciais envolvendo familiares do ministro. Investigações apontam que os irmãos José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli negociaram participações milionárias no resort Tayaya, no Paraná, com um fundo da Reag Investimentos — empresa investigada por conexões com fundos do Banco Master e suspeitas de sonegação bilionária no setor de combustíveis.
Documentos da Junta Comercial indicam participações societárias que somam R$ 6,77 milhões em empresas ligadas ao empreendimento. A sede da empresa Maridt Participações, que concentrava parte dessas ações, foi registrada no endereço residencial de José Eugênio, em Marília (SP). A esposa dele, no entanto, declarou desconhecer o uso do imóvel para fins empresariais.
Outro episódio que aumentou os questionamentos ocorreu em novembro de 2025, quando Toffoli viajou no mesmo jatinho que um advogado ligado ao Banco Master para acompanhar a final da Libertadores, no Peru.
Posicionamento de Toffoli
Em nota, o gabinete de Dias Toffoli classificou o pedido da Polícia Federal como baseado em “ilações”. A defesa sustenta que a PF não possui legitimidade jurídica para requerer a suspeição de um ministro do STF, por não ser parte no processo, conforme o artigo 145 do Código de Processo Civil.
A manifestação formal do ministro será encaminhada ao presidente da Corte, Edson Fachin. A defesa de Daniel Vorcaro optou por não comentar os novos desdobramentos. Até o momento, a presidência do STF não se pronunciou oficialmente.
Arquivo, Jornal Midiamax






