PF ouve oito investigados na operação Compliance Zero sobre tentativa de compra do Banco Master pelo BRB
- porRedação
- 26 de Janeiro / 2026
- Leitura: em 8 segundos

| Créditos: © Banco Master
Depoimentos ocorrem no STF e por videoconferência; investigação apura venda de carteiras de crédito falsas e ativos inflados que somam mais de R$ 23 bilhões
A Polícia Federal inicia nesta segunda-feira (26) a oitiva de oito investigados no âmbito da operação Compliance Zero, que apura possíveis irregularidades na tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). Os depoimentos serão realizados por videoconferência ou presencialmente na sede do Supremo Tribunal Federal (STF) e seguem até terça-feira (27), das 8h às 16h.
Entre os investigados estão diretores do BRB e do Banco Master, além de empresários e ex-executivos do setor financeiro. A apuração gira em torno da venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consideradas falsas ao BRB e de uma estrutura paralela de fundos e ativos inflados, que teria elevado artificialmente o patrimônio do Master em outros R$ 11,5 bilhões, segundo apontamentos do Banco Central (BC).
Negócio barrado pelo Banco Central
O BRB anunciou, em 28 de março de 2025, proposta para adquirir o Banco Master e formar um novo conglomerado financeiro sob controle estatal. O negócio, no entanto, gerou forte desconfiança quanto à qualidade dos ativos apresentados e acabou reprovado pelo Banco Central em 3 de setembro do mesmo ano.
Após a negativa do BC, as investigações se intensificaram e passaram a apontar que o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro, teriam estruturado operações irregulares, fraudulentas ou enganosas com o objetivo de inflar balanços e aparentar solidez financeira, permitindo a continuidade de captação de recursos e negociações.
CDBs, FGC e ativos inflados
Segundo a PF, o crescimento acelerado do Banco Master ocorreu por meio da emissão de CDBs com rentabilidade acima da média de mercado, vendidos com forte apelo ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). As investigações indicam que os ativos do banco eram artificialmente inflados por meio de fundos suspeitos e carteiras de crédito consignado frágeis, enquanto os passivos superavam significativamente os ativos reais.
Investigados que prestam depoimento
Serão ouvidos pela PF:
Dário Oswaldo Garcia Junior, diretor de Finanças e Controladoria do BRB
Robério Cesar Bonfim Mangueira, superintendente do BRB
Alberto Felix de Oliveira, superintendente de Tesouraria do Banco Master
Luiz Antonio Bull, ex-diretor executivo do Banco Master
Angelo Antonio Ribeiro da Silva, executivo do Banco Master
Augusto Ferreira Lima, ex-executivo do Banco Master
André Felipe de Oliveira Seixas Maia, empresário
Henrique Souza e Silva, empresário
Prisões e liquidações
A primeira fase da operação resultou na prisão de Daniel Vorcaro, em 17 de novembro de 2025, um dia antes de o BC decretar a liquidação extrajudicial do Banco Master. Ele é acusado de liderar o esquema de venda de créditos fictícios ao BRB, mas acabou sendo solto posteriormente.
Após o colapso do Master, o Banco Central também determinou a liquidação da CBSF DTVM (antiga Reag Trust), no último dia 15, e do Will Bank, na quarta-feira (21).






