Pedro Chaves critica fisiologismo, confusão ideológica e defende ajuste fiscal para recuperar credibilidade do país
- porRedação
- 26 de Janeiro / 2026
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Ex-senador afirma que trocas partidárias sem coerência enfraquecem a democracia, vê retrocessos no novo ensino médio e avalia cenário eleitoral de 2026 em Mato Grosso do Sul
O ex-senador Pedro Chaves avalia que a política brasileira vive um processo de descaracterização ideológica, marcado por trocas frequentes de partidos entre legendas com posições antagônicas e pelo fortalecimento do fisiologismo no Congresso Nacional. Em entrevista ao Jornal Midiamax, ele afirma que esse cenário prejudica a formulação de políticas públicas eficientes e compromete o protagonismo de Mato Grosso do Sul no cenário nacional.
Segundo Chaves, a migração constante de políticos entre partidos confunde o eleitor e enfraquece a representatividade. “Democracia é estrutura partidária. Não se elege apenas uma pessoa; elege-se um projeto”, afirmou. Para ele, o excesso de legendas e a ausência de identidade ideológica tornam o processo político disfuncional.
Reforma do ensino médio e “saudosismo pedagógico”
Relator da reforma do novo ensino médio em 2017, Pedro Chaves defende que a proposta representou um divisor de águas ao romper com um modelo engessado e desmotivador. Ele relembra que a reformulação foi amplamente debatida, com mais de 50 audiências públicas e aprovação unânime no Senado.
Na avaliação do ex-senador, as alterações feitas posteriormente enfraqueceram a proposta original. “Reduziram o itinerário formativo e ampliaram novamente a base comum. Isso é um saudosismo pedagógico que nos faz andar para trás”, criticou.
Críticas à política econômica e defesa de ajuste fiscal
Economista de formação, Chaves avalia que o país precisa, com urgência, de um ajuste fiscal rigoroso para recuperar a credibilidade internacional. Embora reconheça avanços no controle da inflação e no nível de emprego, ele critica o que classifica como excesso de políticas assistencialistas.
Para o ex-senador, os benefícios sociais devem ter caráter emancipatório, com critérios claros e duração limitada. “O auxílio não pode ser para a vida inteira. Ele deve existir até que a pessoa se insira no mercado de trabalho”, defendeu.
Fragilidade do Legislativo e tensão entre os Poderes
Pedro Chaves também avalia que houve um enfraquecimento da independência entre os Poderes, com o Legislativo perdendo protagonismo frente ao Executivo e ao Judiciário. Ele critica o que considera uma atuação excessiva do STF em matérias que deveriam ser de competência do Congresso.
“O Senado deveria ser o revisor da Câmara, mas hoje não exerce plenamente esse papel. Isso compromete o equilíbrio institucional”, afirmou.
Cenário eleitoral em MS e possibilidade de candidatura
Ao analisar o cenário político de Mato Grosso do Sul, Chaves aponta um ambiente confuso para o eleitor, com lideranças transitando entre campos ideológicos distintos. Ele avalia que essa indefinição pode prejudicar o protagonismo do Estado nas eleições de 2026.
Sobre seu futuro político, o ex-senador confirmou que foi convidado pelo presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, para disputar uma vaga de deputado federal. Disse estar em fase de reflexão e diálogo, sem decisão tomada.
Mensagem ao eleitor
Para encerrar, Pedro Chaves reforçou a importância do voto consciente. “O voto é uma procuração que o cidadão entrega ao candidato. Só mudamos o país melhorando a qualidade da representação política”, concluiu.
Ex-senador Pedro Chaves, em entrevista ao Jornal Midiamax. (Foto: Leonardo de França, Midiamax)






