PF cumpre mandados e bloqueia R$ 54,6 milhões de deputado federal em investigação sobre desvio de emendas
- porCNN
- 08 de Julho / 2025
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| Créditos: Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta terça-feira (8), a Operação Underhand para investigar um esquema de desvio de recursos públicos por meio de fraudes em licitações no estado do Ceará. A ação resultou no cumprimento de 15 mandados de busca e apreensão em Brasília e em cinco cidades cearenses: Fortaleza, Nova Russas, Eusébio, Canindé e Baixio.
Um dos alvos dos mandados é o gabinete do deputado federal Júnior Mano (PSB-CE), na Câmara dos Deputados, em Brasília, além de sua residência oficial na capital federal e um imóvel em Fortaleza. O Supremo Tribunal Federal (STF), responsável pela expedição dos mandados, também ordenou o bloqueio de R$ 54,6 milhões de pessoas físicas e jurídicas supostamente ligadas ao grupo investigado. O objetivo do bloqueio é impedir a movimentação de valores ilícitos e garantir a reparação ao erário.
De acordo com a PF, o núcleo investigado é suspeito de articular o direcionamento de verbas públicas para municípios cearenses em troca de contrapartidas financeiras ilícitas, além de influenciar processos licitatórios por meio de empresas vinculadas ao grupo. As investigações apuram crimes como organização criminosa, captação ilícita de sufrágio, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica com fim eleitoral.
O caso do deputado chegou ao STF após a PF encontrar indícios de seu envolvimento direto no desvio de emendas parlamentares, que seriam utilizadas para financiar a compra de votos e consolidar sua base política. A operação atual é um desdobramento de outras duas ações anteriores da PF no Ceará, as operações "Mercado Cláusula" e "Vis Occulta".
As apurações indicam um esquema que envolveria prefeituras receptoras de emendas. O nome de Júnior Mano surgiu após uma denúncia da prefeita de Canindé durante a campanha eleitoral de 2022, que apontou crimes eleitorais envolvendo o parlamentar e um aliado prefeito em Choró, Ceará. A denúncia sugere que o deputado encaminharia as emendas para o prefeito, que seria responsável por "lavá-las", oferecendo um percentual do valor ao gestor. Segundo a denunciante, ao menos 51 cidades teriam recebido valores por meio desse esquema.






