Palestinos temem que nova guerra no Oriente Médio agrave crise humanitária em Gaza
- porRedação
- 03 de Março / 2026
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Palestinos expressaram temor de que a guerra desencadeada pelos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã desvie a atenção internacional da já frágil situação na Faixa de Gaza. O receio cresce pouco mais de uma semana após o presidente Donald Trump anunciar bilhões de dólares em promessas para a reconstrução do território e tentar avançar um cessar-fogo.
Moradores relatam medo de abandono e de nova escassez, após Israel fechar todas as passagens para o território, onde vivem mais de 2 milhões de pessoas. Segundo relatos à Associated Press, famílias correram aos mercados temendo a repetição da grave falta de alimentos registrada no ano passado, durante meses de bloqueio.
Uma área ao redor da Cidade de Gaza chegou a enfrentar situação de fome. “Quando as passagens fecham, tudo é suspenso do mercado”, disse Osamda Hanoda, de Khan Younis. Já Hassan Zanoun, deslocado de Rafah, afirmou temer não encontrar leite, fraldas, comida e água para a família.
Ajuda humanitária ameaçada
O cessar-fogo instável entre Israel e o Hamas permitiu, nas últimas semanas, a entrada ampliada de ajuda humanitária. Ainda assim, a Organizacao das Nacoes Unidas (ONU) e parceiros alertam que os suprimentos seguem insuficientes, especialmente medicamentos básicos e combustível.
O Programa Mundial de Alimentos informou que houve leve melhora no acesso a alimentos: famílias relataram média de duas refeições diárias em fevereiro de 2026, contra uma em julho do ano anterior. Mesmo assim, uma em cada cinco famílias ainda consome apenas uma refeição por dia.
O Cogat, órgão militar israelense responsável por assuntos civis em Gaza, declarou que o estoque de alimentos no território “deve ser suficiente por um período prolongado”, mas confirmou que a rotação de trabalhadores humanitários foi suspensa. Não há previsão para reabertura das passagens.
Ramadã sob tensão
O fechamento ocorre em pleno Ramadã, mês sagrado de jejum para os muçulmanos. Imagens mostram palestinos reunidos para refeições noturnas em meio a escombros. “Todas as pessoas correram para os mercados, e todos queriam comprar e se esconder”, relatou Abeer Awwad, deslocada da Cidade de Gaza.
A guerra em Gaza começou após o ataque liderado pelo Hamas contra Israel em 7 de outubro de 2023. Desde então, o território enfrenta severas restrições à entrada de pessoas e suprimentos. Há um mês, a passagem de Rafah, na fronteira com o Egito, havia sido parcialmente reaberta, permitindo fluxo limitado de civis, mas sem autorização para carregamentos comerciais.
Atenção internacional dividida
Com explosões em Teerã, Israel e outras áreas do Oriente Médio, organizações humanitárias alertam para o risco de Gaza perder prioridade na agenda global. Trump chegou a afirmar que os bombardeios contra o Irã poderiam se estender por semanas e advertiu Teerã sobre uma “força nunca vista antes” caso haja escalada.
Apesar do temor, alguns palestinos relatam redução pontual da intensidade militar israelense em certas áreas. “O som de explosões agora é raro perto da linha amarela”, disse Ahmed Abu Jahl, referindo-se à zona que divide áreas sob controle israelense.
Ainda assim, desafios significativos permanecem para a consolidação do cessar-fogo, incluindo o desarmamento do Hamas, a criação de uma força internacional de estabilização e a implementação de uma nova administração palestina para governar Gaza.
Enquanto o foco do Oriente Médio se desloca para o confronto com o Irã, a população de Gaza segue entre a esperança de reconstrução e o medo de uma nova fase de isolamento.






