“Os santos vieram depois”🎉 De fogueira a forró: a Festa Junina que a igreja adotou, mas não inventou

| Créditos: Imagem Portal das Missões


A Festa Junina, do jeito que conhecemos hoje, cheia de bandeirinhas, pamonha, quentão e quadrilha, tem uma história muito mais antiga (e pagã) do que parece. Apesar do caráter religioso dado pela Igreja Católica, a origem da celebração está ligada a rituais pagãos de fertilidade e agradecimento pela colheita, especialmente do milho.

Comemorada em junho, a festa homenageia três santos católicos: Santo Antônio, São João e São Pedro. Mas a verdade é que, antes de virar “festa de santo”, o mês já era marcado por rituais que celebravam a natureza e pediam fartura — com direito a fogueiras, comidas, danças e até sacrifícios.

Os santos da vez

Santo Antônio (Fernando de Bulhões): nascido em Lisboa, é o famoso “santo casamenteiro” e padroeiro dos pobres.

São Pedro: apóstolo de Jesus, virou o “santo dos pescadores”, das viúvas e guardião das chuvas.

São João: João Batista, cuja chegada, segundo a tradição, era anunciada com um mastro em frente à casa, inspirando a fogueira junina.

Esses santos foram “adotados” pela Igreja para cristianizar uma celebração popular que já existia há séculos. Como o povo não largava mão da festa, a Igreja preferiu adaptar em vez de proibir.

Da Europa ao Brasil

Na Europa antiga, especialmente durante o solstício de verão (21 a 24 de junho), povos como celtas, egípcios e sumérios já celebravam com danças, fogueiras e oferendas aos deuses. Era uma tentativa de garantir chuvas, fertilidade e boas colheitas. Essas festas vieram parar no Brasil pelas mãos dos portugueses, sendo adaptadas à cultura local com influência indígena e africana.

Na Bahia, por exemplo, a festa de Santo Antônio se mistura com homenagens a Ogum, divindade afro-brasileira da guerra e da agricultura.

Comidas: tudo gira em torno do milho 🌽

As guloseimas típicas — como pamonha, canjica, pipoca e bolo de milho — têm raiz no costume de oferecer milho aos deuses como forma de agradecimento e pedido por fartura. No contexto cristão, esse aspecto acabou se perdendo, mas o ingrediente continua sendo rei das barraquinhas.

Forró, quadrilha e outras danças 💃

A quadrilha surgiu da influência das danças de salão francesas, levadas ao Brasil e adaptadas ao estilo “caipira”. Já o forró, hoje inseparável da festa, traz toda a animação nordestina. Na origem, o que importava era dançar para celebrar a natureza e espantar maus espíritos com a música e o fogo.

Entre santos e deuses

A festa junina, apesar de hoje estar ligada à fé cristã, tem raízes profundas em tradições politeístas. Deuses como Tamuz, Afrodite, Adônis, Isis, Osíris, Juno e até o temido Moloque eram cultuados em festas semelhantes. No fim das contas, o que a Igreja fez foi pintar de cristianismo um festival que o povo já celebrava há séculos — com milho, dança e muita fé, seja qual for a origem.

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