Netos de Ueze Zahran são investigados por esquema de fraudes financeiras milionárias

Os irmãos Gabriel Gandi Zahran Georges e Camilo Gandi Zahran Georges, netos do empresário Ueze Zahran, estão no centro da Operação “Castelo de Cartas”, deflagrada pela Polícia Civil para apurar um esquema de fraudes financeiras baseado em falsas promessas de investimentos de alto rendimento. As investigações apontam que o golpe causou prejuízos milionários a vítimas em diferentes regiões do Brasil.

De acordo com a Polícia Civil, os irmãos criaram empresas de fachada e utilizaram o sobrenome da família — ligada a um grupo empresarial legítimo do setor de energia e gás — para transmitir credibilidade e atrair investidores. Apesar de integrarem a família Zahran e receberem dividendos, eles não fazem parte da administração das empresas do grupo.

“Eles exploraram essa ligação familiar para criar uma aparência de segurança e legitimidade. As pessoas acreditavam que estavam investindo em empresas do grupo, quando, na verdade, se tratava de empresas sem atividade econômica real”, explicou o delegado Fernando Tedd, chefe da DEIC de São José do Rio Preto, responsável pelas investigações.

Como funcionava o esquema

Segundo a polícia, os investigados apresentavam as aplicações como investimentos formais, supostamente realizados por empresas terceirizadas ou vinculadas ao grupo empresarial da família. Na prática, essas empresas eram usadas apenas para simular operações financeiras, sem lastro real.

Quando os investidores passaram a cobrar os rendimentos prometidos, descobriram que haviam sido enganados. “São prejuízos milionários, porque o esquema atingiu um grande número de vítimas. Há registros em várias regiões do país”, destacou o delegado, que não descarta o surgimento de novas vítimas com o avanço da investigação.

Operação “Castelo de Cartas”

As investigações começaram em abril de 2025 e resultaram na deflagração da operação, cuja primeira fase ocorreu na segunda-feira (26), em São José do Rio Preto (SP). Na ocasião, a polícia cumpriu mandados em condomínios de alto padrão e apreendeu dez veículos de luxo, entre eles BMW, Mercedes-Benz, Audi Q7, Toyota Hilux e Jeep, além de armas de fogo municiadas, joias, relógios de alto valor, dinheiro em espécie, cheques e notas promissórias.

O valor estimado dos bens apreendidos ultrapassa R$ 1,75 milhão.

Um dos irmãos prestou depoimento sem mandado de prisão. O outro teve a prisão preventiva decretada, mas não foi localizado e é considerado foragido.

A segunda fase da operação, realizada nesta quarta-feira (28), teve desdobramentos em Campo Grande, com o objetivo de aprofundar as investigações sobre possíveis envolvidos ligados a Mato Grosso do Sul.

Crimes investigados

Inicialmente, os irmãos são investigados pelos crimes de estelionato comum e estelionato eletrônico, caracterizado como fraude digital. “Por enquanto, esses são os crimes apurados, mas a investigação segue em andamento”, concluiu o delegado Fernando Tedd.

A Polícia Civil reforça que possíveis vítimas do esquema devem procurar a delegacia para registrar ocorrência e colaborar com as investigações.

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