MS discute dividir custos de shows com prefeituras para reduzir gastos públicos
- porRedação
- 28 de Outubro / 2026
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O Governo de Mato Grosso do Sul poderá rever a forma de financiamento de festas, feiras agropecuárias e apresentações musicais realizadas nos municípios. A proposta está em discussão na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) e prevê a divisão dos custos dos shows entre o Estado e as prefeituras, além da possibilidade de reduzir o número de apresentações gratuitas em determinados eventos.
O presidente da Alems, deputado estadual Gerson Claro (PP), afirmou que os parlamentares avaliam alternativas para diminuir as despesas públicas com a contratação de artistas e a realização de festividades.
Uma das possibilidades discutidas é estabelecer uma participação financeira dos municípios nos contratos. Em um exemplo apresentado por Gerson Claro, caso um show custe R$ 100 mil, o Governo do Estado arcaria com R$ 50 mil, enquanto a prefeitura responsável pelo evento pagaria a outra metade.
Outra medida em análise prevê limitar a quantidade de apresentações com entrada gratuita em festas que duram vários dias. A intenção seria estabelecer critérios para o financiamento estadual, sem necessariamente eliminar o apoio às festividades municipais.
Gerson Claro ressaltou que as mudanças ainda estão em debate e que qualquer definição exige cautela, considerando o orçamento estadual, estimado em R$ 28 bilhões. Até o momento, não há prazo estabelecido nem decisão oficial do Executivo sobre a adoção das propostas.
Gastos com eventos entram no debate
A discussão ocorre em meio aos investimentos estaduais na contratação de artistas para eventos culturais, religiosos e feiras agropecuárias.
Em 2026, a Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul destinou aproximadamente R$ 4,5 milhões ao pagamento de cachês para eventos religiosos. Desse total, cerca de R$ 2,2 milhões foram destinados a 17 apresentações da Marcha para Jesus, realizadas em 15 municípios.
Em Campo Grande, três atrações contratadas para as comemorações de agosto somaram R$ 454 mil. A cantora Maria Marçal recebeu R$ 254 mil, enquanto a banda Get Worship teve contrato de R$ 150 mil e o cantor John Dias, de R$ 50 mil.
Também houve investimento em eventos católicos, como a apresentação de Thiago Brado, contratada por R$ 155 mil para as celebrações de Corpus Christi, em junho.
Na ocasião, Romilda Neto Pizani, coordenadora do Fórum Estadual de Cultura, defendeu uma distribuição mais equilibrada dos recursos entre os diferentes segmentos culturais.
Festivais também recebem recursos estaduais
Os investimentos incluem grandes eventos realizados em Mato Grosso do Sul. Em 2026, o Festival de Inverno de Bonito recebeu R$ 6,5 milhões para sua programação, que contou com apresentações de Seu Jorge, Ferrugem e Léo Foguete.
Já o Festival América do Sul, realizado em Corumbá, recebeu R$ 5 milhões em recursos estaduais. Em 2025, os investimentos informados para os dois festivais haviam somado R$ 12,8 milhões.
Diante dos valores destinados às festividades, a discussão na Assembleia Legislativa envolve a necessidade de conciliar o incentivo à cultura, ao turismo e à economia dos municípios com o controle das despesas públicas.
As propostas ainda não foram transformadas em medidas oficiais. O debate deverá definir se haverá mudanças nos critérios de financiamento, na participação das prefeituras e na quantidade de shows gratuitos custeados pelo Estado.






