Deputados pedem para PF apurar rede de apoio para fuga de Flávio

Senador Flávio Bolsonaro desembarca de um avião após chegar ao Aeroporto Executivo de Opa-locka, em Miami, na Flórida | Créditos: Reuters/Eva Marie Uzcategui


A saída de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil poderá colocar aliados do senador na mira da Polícia Federal, segundo parlamentares. O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC), e o deputado Rogério Correia (PT-MG) acionaram a corporação para identificar quem teria ajudado o parlamentar a deixar o país e chegar aos Estados Unidos, mesmo diante de restrições impostas pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

A suspeita dos deputados é de que a viagem tenha contado com uma estrutura de apoio político e financeiro, inclusive fora do Brasil. Entre os nomes que os parlamentares querem ver investigados estão Eduardo Bolsonaro e o advogado Willer Tomaz. A eventual colaboração de integrantes dos governos de Donald Trump e Javier Milei também é mencionada no documento.

Um dos principais pontos que os deputados querem esclarecer é como Flávio conseguiu atravessar a fronteira brasileira e entrar nos Estados Unidos. Segundo a representação, ele passou pela Argentina utilizando um passaporte italiano e teria desembarcado em território americano com um passaporte diplomático brasileiro que já estava cancelado.

O transporte do senador também entrou na mira dos parlamentares. Eles querem identificar os responsáveis pelo pagamento da aeronave da Baires Fly, utilizada na viagem, e esclarecer a ligação de outro jatinho com Willer Tomaz. O advogado é investigado no mesmo inquérito que envolve Flávio.

Outra frente do pedido envolve os governos estrangeiros. Os deputados querem saber se houve interferência de autoridades na passagem do senador pela Argentina, onde teria recebido escolta policial, e na sua entrada nos Estados Unidos. O avião também fez escala no Equador.

Além da investigação policial, Uczai e Correia defendem que o Itamaraty peça esclarecimentos aos países envolvidos. Os parlamentares solicitam ainda o rastreamento do dinheiro utilizado na viagem e o acionamento da Interpol por meio de difusão azul, mecanismo destinado à obtenção de informações sobre a localização e as atividades de pessoas investigadas.

Os deputados também suspeitam da existência de uma rede de desinformação que teria atuado para despistar as autoridades brasileiras e dificultar a localização do senador Flávio Bolsonaro (PL). A suspeita é de que informações falsas ou contraditórias sobre o paradeiro e os deslocamentos do senador tenham sido disseminadas de forma coordenada. Os parlamentares querem que a Polícia Federal identifique os responsáveis pela eventual operação, esclareça se houve participação de aliados políticos e investigue se a divulgação dessas informações teve como objetivo atrapalhar as investigações.

A representação aponta ainda a possibilidade de crimes como favorecimento pessoal, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e embaraço à investigação. Os parlamentares pedem que a PF examine se houve participação consciente de terceiros em eventuais irregularidades relacionadas à viagem.

O novo pedido deverá ser levado ao conhecimento do ministro Alexandre de Moraes e da Procuradoria-Geral da República (PGR). No STF, já foi solicitada a prisão preventiva do senador e a emissão de alerta vermelho da Interpol.

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