Mounjaro vai além da perda de peso: veja benefícios comprovados, indicações e principais contraindicações

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A tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, ganhou notoriedade principalmente pelo efeito expressivo sobre o peso corporal. No entanto, as evidências clínicas mostram que o medicamento também produz efeitos importantes sobre o controle da glicemia e pode trazer benefícios associados a condições relacionadas à obesidade.

No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o Mounjaro inicialmente para melhorar o controle da glicemia em pessoas com diabetes tipo 2. Em 2025, a agência ampliou a indicação para o controle crônico do peso, incluindo perda e manutenção do peso, em adultos com obesidade ou com sobrepeso acompanhado de pelo menos uma condição relacionada ao excesso de peso.

Controle da glicemia

Um dos principais benefícios da tirzepatida é a melhora do controle do diabetes tipo 2. O medicamento atua simultaneamente nos receptores dos hormônios GIP e GLP-1, aumentando a secreção de insulina de maneira dependente da glicose, reduzindo o glucagon e melhorando a sensibilidade à insulina.

Segundo a Anvisa, estudos clínicos demonstraram redução significativa da hemoglobina glicada (HbA1c), um dos principais indicadores utilizados para acompanhar o controle do diabetes.

Redução e manutenção do peso

Embora a perda de peso seja o efeito mais conhecido, ela ocorre dentro de uma estratégia de tratamento da obesidade e deve estar associada à alimentação adequada e à prática de atividade física.

Nos estudos que fundamentaram a ampliação da indicação no Brasil, participantes tratados com tirzepatida apresentaram reduções de peso superiores às observadas no grupo placebo. No SURMOUNT-1, a redução média variou de 15% a 20,9% após 72 semanas, conforme a dose utilizada. No SURMOUNT-2, que envolveu pessoas com diabetes tipo 2, a redução ficou entre 13,4% e 15,7%.

Possíveis benefícios metabólicos

A redução do peso e a melhora da ação da insulina podem repercutir positivamente em diferentes marcadores metabólicos. Estudos clínicos observaram melhora de parâmetros cardiometabólicos em pessoas tratadas com tirzepatida, incluindo medidas relacionadas à pressão arterial e ao metabolismo.

É importante, porém, diferenciar benefícios demonstrados em estudos clínicos de uma indicação específica em bula. Nem todo efeito observado em pesquisas significa que o medicamento esteja aprovado para prevenir ou tratar uma determinada doença.

Apneia obstrutiva do sono

Um dos resultados mais relevantes das pesquisas recentes envolve pessoas com obesidade e apneia obstrutiva do sono moderada ou grave.

Em dois estudos de fase 3 publicados no New England Journal of Medicine, a tirzepatida reduziu de forma significativa o índice de apneia e hipopneia, além de diminuir o peso corporal, a carga de hipóxia e a pressão arterial sistólica. Também houve melhora em indicadores relacionados à qualidade do sono e à percepção dos pacientes sobre a doença.

A própria Anvisa inclui a apneia obstrutiva do sono entre as condições relacionadas ao peso que podem justificar o uso da tirzepatida em pessoas com sobrepeso, dentro dos critérios aprovados para controle crônico do peso.

Estudos também apontam redução do risco de evolução para diabetes

Outra linha de pesquisa avaliou pessoas com obesidade e pré-diabetes. No estudo SURMOUNT-1, o tratamento prolongado com tirzepatida esteve associado a uma redução expressiva da progressão para diabetes tipo 2 em comparação com placebo, além da manutenção de perda significativa de peso.

Esse resultado é relevante, mas não significa que a tirzepatida deva ser utilizada por qualquer pessoa com pré-diabetes. A indicação deve considerar os critérios previstos em bula e a avaliação individual feita por profissional de saúde.

Quais são as principais contraindicações?

Apesar dos benefícios, Mounjaro não é um medicamento indicado para uso indiscriminado.

De acordo com a bula americana atualizada pela FDA, a tirzepatida é contraindicada para pessoas com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular de tireoide (CMT) ou com síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (NEM 2). Também é contraindicada em pessoas que já apresentaram reação de hipersensibilidade grave à tirzepatida ou a algum componente da formulação.

A advertência relacionada à tireoide decorre de estudos em animais, nos quais a tirzepatida provocou tumores das células C. Ainda não se sabe se esse risco se aplica aos seres humanos.

Efeitos adversos merecem atenção

Os efeitos colaterais mais comuns estão relacionados ao sistema gastrointestinal. Náuseas, vômitos, diarreia, constipação e desconforto abdominal estão entre as reações relatadas.

A Anvisa também chama atenção para eventos como problemas relacionados à vesícula biliar, reações de hipersensibilidade, tontura, hipotensão e, em alguns casos, pancreatite.

A pancreatite aguda é uma das complicações que exigem maior atenção. A agência brasileira emitiu alerta em 2026 sobre o risco associado ao uso inadequado de medicamentos da classe, destacando que a pancreatite já está prevista nas bulas e que o uso fora das indicações aprovadas pode aumentar o risco de eventos graves.

Dor abdominal intensa e persistente, especialmente quando acompanhada de náuseas ou vômitos, deve ser avaliada imediatamente por um profissional de saúde.

Hipoglicemia e outras situações que exigem cuidado

O risco de hipoglicemia aumenta principalmente quando a tirzepatida é utilizada junto com insulina ou medicamentos que estimulam a liberação de insulina, como as sulfonilureias. Nesses casos, pode ser necessário ajustar o tratamento sob orientação médica.

Pessoas com histórico de pancreatite, doenças gastrointestinais importantes, problemas da vesícula biliar, alterações renais ou que utilizam determinados medicamentos também devem informar essas condições ao médico antes de iniciar o tratamento.

Além disso, a tirzepatida pode retardar o esvaziamento do estômago, característica que pode ter implicações em determinados procedimentos que utilizam anestesia ou sedação.

Uso durante a gravidez exige avaliação médica

Medicamentos para controle do peso não devem ser utilizados simplesmente para emagrecimento durante a gravidez. A decisão sobre continuidade ou interrupção da tirzepatida em uma gestante deve ser feita pelo médico, considerando os riscos e benefícios para cada situação.

Mounjaro não é uma "caneta para emagrecer" de uso livre

A popularização do medicamento trouxe também o risco da automedicação. A Anvisa reforça que medicamentos à base de tirzepatida devem ser utilizados de acordo com as indicações aprovadas, sob prescrição e acompanhamento profissional. Desde 2025, medicamentos dessa classe passaram a ter regras mais rigorosas de dispensação, com retenção da receita.

A agência também vem adotando medidas contra produtos de tirzepatida sem registro ou comercializados de forma irregular no país. Em junho de 2026, determinou a apreensão de produtos à base da substância que não possuíam registro, notificação ou cadastro regular no Brasil.

Em resumo

O Mounjaro não atua apenas sobre a balança. A tirzepatida possui indicação aprovada para o controle da glicemia no diabetes tipo 2 e para o controle crônico do peso dentro de critérios específicos. Estudos também demonstram efeitos relevantes sobre parâmetros metabólicos e sobre a apneia obstrutiva do sono em pessoas com obesidade.

Ao mesmo tempo, trata-se de um medicamento que pode provocar efeitos adversos e possui contraindicações importantes. Por isso, não deve ser iniciado, aumentado, reduzido ou interrompido por conta própria.

A escolha do tratamento deve levar em consideração o histórico clínico, outros medicamentos utilizados, doenças associadas, exames e os riscos e benefícios individuais de cada paciente.

Fontes consultadas

Observação: esta matéria tem caráter informativo e não substitui avaliação, prescrição ou acompanhamento médico.

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