A Arma da Alienação e a Ilusão do Salto Alto

| Créditos: IA /Conteúdo MS


Faltam poucos dias. O clima nas ruas e nas redes é de contagem regressiva, mas o que se ouve por aí assusta mais do que qualquer debate de horário eleitoral. Sinceramente, não cabe na minha cabeça. Acho um absurdo absoluto ouvir eleitores, às vésperas de uma eleição decisiva, declararem voto porque o candidato “é engraçado”, “é jovem” ou por qualquer outra futilidade que nada tem a ver com a gravidade do momento. Desde quando carisma de redes sociais substitui proposta? O voto não foi conquistado para virar piada ou curtida. Um voto serve para escolher projetos, metas e diretrizes concretas que afetarão a vida de milhões de pessoas durante quatro anos. Sim, é para isso que o voto serve!

Nas mãos de eleitores alienados e superficiais, o título de eleitor deixa de ser um instrumento de cidadania e vira uma verdadeira arma. Dá medo — um medo real e palpável — de pensar a quem seremos obrigados a nos submeter por causa do descaso alheio. A ignorância política de uns vira o fardo diário de todos.

E o que dizer da tal "sandália da humildade"? Pouquíssimos tiveram a capacidade de calçá-la neste horário eleitoral. Vimos de tudo um pouco: desde ex-governador tentando se reapresentar com simplicidade e lembrando sua vocação de médico, até ex-gestor que, de tão apaixonado pela cadeira que ocupou, baseou toda a sua propaganda no que diz ter feito. Mas espera aí... quem governou e executou foi o Riedel, não? Entre essa confusão de narrativas e alguns raros acertos, fica clara a tentativa de reescrever a história recente para agradar o eleitorado.

A verdade é uma só: até aqui, por melhor que esteja posicionado nas pesquisas, absolutamente ninguém pode bater no peito e se declarar eleito. O cenário é dinâmico e o eleitor ainda tem a palavra final. O centrão até ensaiou movimentos para se desvincular das pontas extremas, e poderíamos, sim, ter um sopro de esperança e maturidade política se tivéssemos nos livrado dos radicais — tanto lulistas quanto bolsonaristas. Mas a idolatria política, infelizmente, virou praticamente uma doença coletiva que cega a razão e anula o debate de ideias.

O dia está chegando. Reavalie seus critérios. Repense seus motivos. O futuro da nossa comunidade e do nosso país não cabe em uma piada nem em um meme.

Por Alcina Reis

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