Ministério Público investiga legalidade de projeto viário sobre o Córrego Segredo em Campo Grande

| Créditos: Ilustração/Correio do Estado


Um inquérito civil foi instaurado pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul para averiguar a legalidade de um projeto de infraestrutura viária e construção de ponte sobre a Área de Preservação Permanente (APP) do Córrego Segredo, que atravessa o parque linear de Campo Grande.

A investigação teve início após representação feita por um gestor ambiental responsável pela execução de projetos de restauração ecológica no local. A área em questão funciona sob autorização municipal para atividades voltadas à recuperação da mata ciliar, arborização urbana e promoção de ações de educação ambiental. Há mais de uma década, o espaço passa por ações contínuas de preservação ecossistêmica e conservação da vegetação nativa na Bacia do Córrego Segredo.

O procedimento busca apurar se a eventual emissão de Guias de Diretrizes Urbanísticas (GDUs) de forma fracionada por órgãos do planejamento municipal pode ter o objetivo de facilitar a abertura de vias públicas voltadas a interligar grandes empreendimentos imobiliários na região. A análise fragmentada dessas diretrizes permite que intervenções de menor escala aparente sejam aprovadas individualmente, podendo ocultar os impactos ambientais e urbanísticos cumulativos ao ecossistema local.

Especialistas e denúncias apresentadas ao órgão controlador alertam que a abertura de vias no parque linear e na APP do fundo de vale pode acarretar sérios prejuízos ambientais. Entre os riscos citados estão o assoreamento do leito do córrego, o aumento no risco de enchentes, a elevação de processos erosivos, a fragmentação dos corredores ecológicos e o comprometimento da fauna silvestre local.

O inquérito analisará se a intervenção proposta atende ao interesse público e ao ordenamento urbano sustentável ou se prioriza demandas de empreendimentos privados em detrimento da preservação da infraestrutura verde da capital.

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