Mais de 104 mil alunos da Reme retornam às aulas em Campo Grande
- porRedação
- 09 de Fevereiro / 2026
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| Créditos: Divulgação/PMCG
Mais de 104 mil estudantes da Reme (Rede Municipal de Ensino) de Campo Grande retomam as aulas nesta segunda-feira (9). Segundo a Semed (Secretaria Municipal de Educação), todas as 208 unidades escolares estão prontas para o início do ano letivo, com transporte assegurado — inclusive para escolas rurais — e merenda distribuída.
De acordo com o secretário municipal de Educação, Lucas Bitencourt, mais de 500 toneladas de alimentos já foram entregues às escolas para abastecer a merenda escolar. Os kits escolares, que incluem materiais e uniformes, começarão a ser distribuídos após o Carnaval. A medida, segundo ele, considera o aumento esperado no número de matrículas nas próximas semanas, que pode elevar o total de alunos para mais de 110 mil.
“Às vezes os pais ainda não conseguiram fazer a matrícula. Por isso aguardamos para entregar os kits”, explicou o secretário, que pediu agilidade aos responsáveis pelos estudantes ainda não matriculados.
Ano letivo e estrutura das escolas
Em 2026, a rede municipal contará com 200 dias letivos, totalizando 800 horas/aula. Apenas uma escola municipal teve o retorno ameaçado por questões estruturais. A E.M. Senador Rachid Saldanha Derzi, no Jardim Noroeste, foi alvo de três furtos durante as férias escolares, mas as reformas emergenciais foram concluídas no sábado (7).
“Concluímos os trabalhos a tempo para receber os alunos com tranquilidade”, afirmou Bitencourt.
Assistentes de educação infantil mantêm indicativo de greve
Às vésperas da volta às aulas, a situação das assistentes de educação infantil gerou tensão. A categoria reivindica reajuste salarial — de R$ 1,9 mil para R$ 2,5 mil —, além de vale-alimentação e estabilidade por meio de concurso público. As profissionais chegaram a lotar a Câmara Municipal e aprovaram indicativo de greve, que pode afetar as Emeis (Escolas Municipais de Educação Infantil).
A prefeitura promete lançar edital de concurso público para a categoria em abril, mas, até o momento, o aumento salarial segue indefinido. O secretário de Educação evitou comentar diretamente o impasse, destacando que a questão administrativa cabe à Secretaria de Governo.
“Nós dependemos 100% das assistentes”, reconheceu Bitencourt, ao minimizar a possibilidade de paralisação total. Segundo ele, Campo Grande é a única capital brasileira que conta com professores atuando também nos grupos de bebês, o que traz maior segurança ao funcionamento das unidades.
Apesar disso, o indicativo de greve permanece ativo. O MPT (Ministério Público do Trabalho) e o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) informaram que irão analisar as condições de trabalho das profissionais.
Climatização ainda não é total
Outro desafio enfrentado pela rede municipal é a climatização das salas de aula. Atualmente, 70% das escolas da Reme possuem ar-condicionado em funcionamento. Embora todas as unidades já tenham recebido os aparelhos, a instalação depende de adequações na rede elétrica.
“Instalamos o ar-condicionado, mas a Energisa precisa aumentar a carga elétrica em algumas regiões, porque a rede é antiga”, explicou o secretário. A meta de climatizar 100% das escolas ainda não foi alcançada.
Ouvidoria da Semed sob recomendação do MPMS
Na última quinta-feira (5), o MPMS recomendou que a Prefeitura de Campo Grande corrija falhas no funcionamento da Ouvidoria da Semed. Entre os problemas apontados estão a falta de informações claras ao cidadão, inconsistências no registro de denúncias na plataforma Fala.BR e ausência de fluxos padronizados para tratamento das manifestações.
O Ministério Público também cobrou garantias de sigilo e proteção aos denunciantes. A prefeitura tem 30 dias úteis para apresentar as providências adotadas.
Sobre o tema, Bitencourt afirmou que uma comissão foi criada para apurar as denúncias e promover ajustes internos. “O educador tem que ser, no mínimo, educado. Existe um setor de acolhimento, e essa comissão vai levantar dados e fazer as intervenções necessárias”, concluiu.






