Macron anuncia voto contra acordo Mercosul–União Europeia e amplia tensão na reta final das negociações

Presidente francês Emmanuel Macron | Créditos: GONZALO FUENTES / POOL / AFP

Em publicação nas redes sociais, Macron foi direto ao confirmar a posição do governo francês. “A França decidiu votar contra a assinatura do acordo entre a União Europeia e os países do Mercosul”, escreveu. Segundo ele, apesar de o país apoiar o comércio internacional, o acordo está defasado. “O acordo UE–Mercosul está desatualizado, negociado por muito tempo em termos obsoletos [mandato de 1999]. Embora a diversificação comercial seja necessária, os benefícios econômicos do acordo serão limitados para o crescimento francês e europeu”, afirmou.

A posição francesa não é nova. O governo de Paris enfrenta forte pressão de agricultores, que veem o acordo como uma ameaça direta à produção local, especialmente diante da competitividade do agronegócio sul-americano. O temor é que a entrada de produtos agrícolas do Mercosul, em especial carnes e grãos, gere concorrência desleal e pressione os preços no mercado interno europeu.

Macron levará formalmente sua decisão à reunião do Conselho da União Europeia, marcada para esta sexta-feira (9), em Bruxelas, onde os países do bloco irão discutir os próximos passos do tratado.

Além da França, outros países também manifestam oposição ao acordo. Irlanda, Polônia e Hungria já se posicionaram contra a assinatura. Por outro lado, Alemanha e Espanha defendem o avanço do tratado. A Itália, que ainda não oficializou sua posição, sinalizou que tende a apoiar o acordo.

Mesmo com a resistência de parte dos países, a expectativa nos bastidores é de que o texto possa ser assinado já na próxima semana, abrindo caminho para a criação da maior zona de livre-comércio do mundo, caso supere as etapas posteriores de ratificação nos parlamentos europeus e no Congresso brasileiro.

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