JBS e usinas de MS acionam governo dos EUA contra tarifaço de Trump

| Créditos: Foto: Divulgação/JBS


A JBS e as indústrias do setor sucroenergético de Mato Grosso do Sul intensificaram ações diretas junto ao governo norte-americano para tentar impedir a imposição de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros, defendendo que a medida traria prejuízos também à indústria e aos consumidores dos Estados Unidos.

Representantes dos setores industrial sul-mato-grossense ligados à produção de energia e transformação compareceram à audiência pública promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) na última segunda-feira para contestar a possível aplicação da sobretaxa. A JBS e a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), que congrega seis usinas de etanol instaladas no estado, formalizaram pedidos para exclusão dos produtos brasileiros da medida.

O processo investigativo foi instaurado com fundamento na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, instrumento legal que autoriza o governo estadunidense a examinar práticas comerciais consideradas desleais, discriminatórias ou injustificáveis. O Brasil foi incluído nessa apuração, que pode culminar na instituição de tarifas extras sobre mercadorias nacionais. Durante a tramitação, empresas e cidadãos tiveram oportunidade de expor seus pontos de vista na audiência do USTR.

A definição final permanece pendente, embora o prazo regulamentar para conclusão seja 15 de julho. Em entrevista à Fox Business Network, um representante do Departamento de Comércio dos Estados Unidos declarou que as contribuições apresentadas estão sob análise e que uma decisão será comunicada oportunamente. "Tenho conversado com os brasileiros. Temos tentado negociar. Ainda há uma distância considerável entre nós. Por isso, vocês verão uma decisão final sobre o Brasil muito em breve, porque temos um prazo legal até 15 de julho", afirmou.

Argumentos da indústria

A JBS encaminhou manifestação por escrito, subscrita por Carlos Alberto Santos Obregon, pleiteando o afastamento das questões relativas a produtos não metálicos, com ênfase no couro bovino. A empresa argumentou que esse insumo abastece indústrias norte-americanas dos setores automotivo e moveleiro, que seriam afetados por eventual sobretaxa. A operação da companhia em Mato Grosso do Sul movimentou US$ 23,2 milhões no mercado estadunidense nos últimos cinco anos.

Entre janeiro e maio deste ano, as exportações de couro totalizaram US$ 1,6 milhão, conforme levantamento apresentado ao governo dos EUA. Na visão da empresa, "o trabalho bilateral e o diálogo diplomático entre EUA e Brasil são a única forma efetiva de mecanismo para resolver o complexo regulatório e suas políticas tarifárias previstas com o aumento com base na Seção 301". A companhia destacou ainda que "impor 25% de tarifa em cadeias produtivas de produtos manufaturados, como a cadeia do couro bovino, é uma estratégia contraprodutiva" e que o setor privado "acaba pagando o preço de disputas regulatórias entre governos".

A Unica, por sua vez, além do comunicado escrito, solicitou participação para argumentação oral por meio do escritório Barral Parente Pinheiro. A entidade, que representa as usinas Adecoagro (Ivinhema e Angélica), Atvos (Rio Brilhante e Nova Alvorada do Sul), Copersucar (Rio Brilhante), BP Bioenergy (Ponta Porã) e Raízen (Caarapó), sustentou que "o acesso ao mercado de etanol brasileiro segue o regime de acesso da OMC, não discriminatório, com nenhum compromisso bilateral que exige que o Brasil mantenha tarifas para o etanol dos EUA" e que as tarifas punitivas não avançariam os interesses comerciais energéticos entre os países.

A instituição também argumentou que um tarifaço elevaria os custos das refinarias nos EUA e impactaria o mercado consumidor, especialmente considerando o etanol como combustível de baixo carbono atualmente concentrado na Califórnia. O grupo ponderou que "o Brasil tem também passos específicos para facilitar a participação dos EUA no programa RenovaBio por meio de guias técnicos específicos".

Cenário comercial

Enquanto aguarda a definição do governo norte-americano, o intercâmbio comercial entre Mato Grosso do Sul e os Estados Unidos já apresenta indícios de desaquecimento. Os embarques para o mercado estadunidense recuaram de US73,39milho~esemabrilparaUS73,39milho~esemabrilparaUS 36,53 milhões em maio, uma retração de 50%.

A economista Bruna Mendes Dias, da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), avalia que ainda não é possível mensurar o impacto definitivo das tarifas. "Desde o primeiro mandato de Trump, o uso de tarifas tem sido uma ferramenta recorrente de negociação comercial e diplomática. Ao longo desse período, vimos anúncios, revisões, adiamentos e acordos sendo construídos durante as negociações. Por isso, embora o anúncio mereça atenção, ainda é cedo para avaliar seus efeitos definitivos, já que esse tipo de medida costuma passar por um processo de ajustes e tratativas entre os países envolvidos", afirmou.

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) apontam que as exportações sul-mato-grossenses aos EUA somaram US371milho~esnoprimeirosemestrede2026,volume14371milho~esnoprimeirosemestrede2026,volume14 190,4 milhões), ferro fundido (US74,2milho~es),celulose(US74,2milho~es),celulose(US 59,4 milhões), carne bovina refrigerada (US20,1milho~es)esebobovino(US20,1milho~es)esebobovino(US 9,8 milhões).

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