Defesa questiona materialidade da maior apreensão de cocaína da história
- porRedação
- 11 de Julho / 2026
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| Créditos: Divulgação/Exército
As investigações sobre a operação que resultou na suspeita de maior apreensão de cocaína do país ainda não possuem confirmação científica sobre a existência da droga no carregamento de toras de madeira. A informação foi divulgada pela defesa das empresas de transporte envolvidas no caso, que apresentou questionamentos sobre a falta de provas materiais definitivas.
O carregamento, avaliado em mais de R$ 200 mil, foi interceptado durante a Operação Timber Shield, deflagrada no dia 22 de junho, e permanece retido em Corumbá (MS) e Cáceres (MT). Oito caminhões foram apreendidos na ação que contou com apoio de inteligência do Brasil, Bolívia e Estados Unidos.
De acordo com documento assinado pelo escritório Leandro Lobo Advocacia, os registros oficiais do inquérito policial indicam que os testes químicos iniciais realizados pelos agentes federais não detectaram substâncias ilícitas nas amostras coletadas. A própria autoridade policial teria consignado que a materialidade do crime dependia de confirmação técnico-científica posterior.
"Os próprios documentos constantes do inquérito policial demonstram que, no estágio inicial das investigações, os testes químicos preliminares realizados pela Polícia Federal apresentaram resultado negativo para todas as amostras analisadas", afirma a nota enviada pela defesa.
A equipe jurídica ressaltou que, diante da ausência de comprovação sobre a prática criminosa, as transportadoras e seus funcionários não respondem oficialmente por qualquer irregularidade neste momento. O documento enfatiza que as diligências policiais buscavam justamente aprofundar as investigações por meio de exames periciais mais específicos.
A operação teve origem em mobilização conjunta entre autoridades brasileiras, bolivianas e norte-americanas, motivada por suspeitas de que um carregamento de cocaína seguiria da Bolívia para diversos países. As investigações se intensificaram após a apreensão recorde de 100 toneladas da droga em território chileno no dia 6 de junho, que estaria escondida em toras de madeira na forma líquida.
A Polícia Federal havia manifestado suspeita de que até 50 toneladas de cocaína poderiam estar ocultas nas toras apreendidas, seguindo o modus operandi identificado no Chile. No entanto, a confirmação pericial ainda não foi concluída.
Procurados para atualização sobre o andamento do inquérito, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal não responderam aos questionamentos enviados pela imprensa. As solicitações foram direcionadas às unidades de Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, além da chefia em Brasília. A Perícia Criminal da PF também foi consultada sobre os exames químicos, mas não houve retorno.
Questionada sobre possível troca de informações com autoridades chilenas, que conseguiram identificar a droga em operações nos portos de Arica, Santo Antonio e Valparaíso, a PF também permaneceu em silêncio. O caso segue em fase investigativa, com a documentação pericial ainda pendente para definição sobre a existência ou não do entorpecente no carregamento de madeira.






