Investigação aponta grupo digital que promovia violência e automutilação entre adolescentes

| Créditos: Reprodução/PCMS


Investigações sobre a morte de uma adolescente de 13 anos em Naviraí, no sul de Mato Grosso do Sul, apontam para a atuação de um grupo organizado em comunidades virtuais que estimulavam práticas de violência, automutilação e, em situações extremas, suicídio.

A adolescente foi encontrada morta em 22 de julho, na residência onde morava. Segundo as investigações, integrantes de comunidades digitais teriam coagido e ameaçado a vítima antes da morte.

A apuração policial identificou uma estrutura de hierarquia dentro dos grupos. Os participantes poderiam alcançar posições superiores conforme aumentavam a quantidade e a gravidade dos atos violentos praticados ou estimulados.

As comunidades, conhecidas como “panelas”, funcionavam em diferentes plataformas digitais. No caso investigado em Naviraí, duas delas teriam se unido para acompanhar a morte da adolescente. As investigações mencionam o uso de Telegram, Discord, Instagram e outras ferramentas digitais.

De acordo com a investigação, meninas estavam entre as principais vítimas recrutadas para participar de desafios e práticas de violência. Os integrantes também utilizariam ameaças e informações pessoais das vítimas para pressioná-las a cumprir determinadas ações.

A polícia afirma ainda ter identificado uma divisão de funções dentro das comunidades, com participantes responsáveis por recrutamento, administração, moderação e coerção.

Operação Lívia

A investigação resultou em duas fases da Operação Lívia. Na primeira etapa, realizada em 4 de agosto, foram apreendidos celulares, computadores e outros materiais posteriormente submetidos à análise técnica.

Na segunda fase, deflagrada em 15 de setembro, foram cumpridos mandados e realizadas apreensões em cinco estados e no Distrito Federal. Seis adolescentes foram apreendidos durante a operação.

Até o momento, 12 pessoas foram presas ou apreendidas no âmbito das investigações, segundo a polícia.

A apuração continua com a análise dos materiais recolhidos para identificar outros possíveis integrantes e esclarecer a extensão da estrutura mantida no ambiente virtual.

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