Feminicida alega traição para justificar assassinato da ex-companheira em Corumbá
- porRedação
- 27 de Janeiro / 2026
- Leitura: em 6 segundos

Durante interrogatório na delegacia, o feminicida Antônio Lima Ohara, de 73 anos, alegou uma suposta traição da ex-companheira, Rosana Candia, de 62 anos, como justificativa para o crime cometido na noite de sábado (24), em Corumbá, no Pantanal sul-mato-grossense. O casal estava separado havia cerca de três anos, mas continuava morando na mesma residência, onde ocorreu o assassinato.
À Polícia Civil, Antônio afirmou que teria recebido, há aproximadamente três anos, uma denúncia anônima informando que Rosana o estaria traindo. Segundo ele, após tomar conhecimento do fato, procurou a filha — que é advogada — para providenciar a separação. Ainda conforme o depoimento, a filha teria tentado evitar o rompimento definitivo, acreditando em uma possível reconciliação. Mesmo após a separação formal, os dois permaneceram vivendo juntos.
O autor declarou que manteve um relacionamento de mais de 40 anos com a vítima e insistiu em afirmar que jamais teria agredido Rosana, física ou verbalmente. A versão, no entanto, foi contrariada por vizinhos, que relataram à polícia ouvir conflitos frequentes entre o casal.
Antônio relatou ainda que, no dia do crime, a discussão começou porque ele interpretou que Rosana queria que ele deixasse o imóvel, que, segundo afirmou, pertenceria a ambos.
Violência extrema e comportamento frio
De acordo com testemunhas, Rosana pediu socorro enquanto era agredida pelo ex-companheiro com golpes de madeira, principalmente na região do rosto e da cabeça. Mesmo após alertas de vizinhos de que a vítima poderia morrer, Antônio teria continuado as agressões. Uma das testemunhas relatou que o autor chegou a sorrir durante o ataque.
Moradores que tentaram intervir foram ameaçados. Após o crime, Antônio fugiu do local de bicicleta e foi localizado posteriormente na casa de um parente. Ao receber voz de prisão, reagiu com frieza, afirmando que iria “tomar um chá de camomila primeiro”. Já na delegacia, segundo o boletim de ocorrência, ele ainda ameaçou policiais e alegou ser uma pessoa “influente” e ter parentesco com o prefeito do município.
Rosana Candia morreu no local após sofrer ferimentos gravíssimos, incluindo afundamento do crânio.
A prisão em flagrante de Antônio Lima Ohara foi convertida em prisão preventiva. Ele responderá pelos crimes de feminicídio, ameaça e desacato.






