Surto do vírus Nipah na Índia acende alerta global
- porRedação
- 27 de Janeiro / 2026
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| Créditos: LUSA
Cinco casos confirmados do vírus Nipah (NiV) no estado de Bengala Ocidental, no leste da Índia, incluindo médicos e enfermeiros, têm gerado preocupação entre autoridades de saúde e a comunidade científica internacional. A doença, de origem zoonótica, pode evoluir rapidamente para quadros neurológicos graves, como encefalite aguda, com alto índice de letalidade.
De acordo com informações da imprensa internacional, cerca de 100 pessoas foram orientadas a cumprir quarentena como medida preventiva. Casos suspeitos estão sendo acompanhados em hospitais da capital estadual, Calcutá, onde ao menos um paciente encontra-se em estado crítico.
O Nipah se caracteriza por um início de sintomas inespecíficos — como febre, dor de cabeça, tontura e vômitos — que podem dificultar o diagnóstico precoce. Em poucos dias, no entanto, o quadro pode evoluir para rebaixamento do nível de consciência, convulsões, alterações do tronco encefálico, dificuldade para engolir e respirar, além de movimentos involuntários.
Transmissão e fatores de risco
Segundo a médica infectologista e patologista clínica Carolina Lázari, membro da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), o vírus tem origem na natureza. “Os principais reservatórios são morcegos frugívoros do gênero Pteropus, que não adoecem, mas eliminam o vírus pela saliva, urina e fezes”, explicou em entrevista à revista Veja.
A transmissão ao ser humano pode ocorrer de forma direta, pelo contato com os morcegos ou suas excretas, ou indiretamente, por meio do consumo de alimentos contaminados. Surtos também já foram registrados entre criadores de porcos, como ocorreu na Malásia, desde a identificação inicial da doença.
Nos episódios mais recentes registrados na Índia e em Bangladesh, sintomas respiratórios como tosse, falta de ar e insuficiência respiratória têm sido frequentes. “Esses quadros estão associados a maior mortalidade e a um risco ampliado de transmissão entre pessoas, já que secreções respiratórias passam a ser fonte direta de contágio”, alertou a especialista.
Diagnóstico, tratamento e prevenção
A confirmação da infecção pelo vírus Nipah é feita por meio de exames laboratoriais, como o PCR realizado no líquor, o que pode dificultar o reconhecimento rápido da doença. Atualmente, não existe vacina nem tratamento específico, e o manejo clínico é baseado em suporte intensivo, muitas vezes em unidades de terapia intensiva (UTI).
Entre as medidas preventivas recomendadas estão a redução do contato entre humanos e os reservatórios naturais do vírus, a proteção de alimentos contra contaminação por morcegos, o uso rigoroso de equipamentos de proteção individual em casos respiratórios e, quando necessário, o abate controlado de animais infectados.
Especialistas destacam que, nos casos graves, a encefalite e as convulsões podem evoluir rapidamente para coma em um intervalo de 24 a 48 horas. O período de incubação varia, em geral, de 4 a 14 dias, mas já houve relatos de até 45 dias. A taxa de letalidade é estimada entre 40% e 75%, dependendo do surto e da capacidade local de resposta em saúde.
Risco para o Brasil é considerado remoto
Apesar da gravidade da doença, especialistas avaliam que o risco de um surto de grandes proporções no Brasil é baixo. Isso porque o principal gênero de morcegos associado ao vírus Nipah, o Pteropus, não existe nas Américas.
“No Brasil, a chance de surtos de grande magnitude é considerada remota, limitada a introduções pontuais e pouco prováveis”, afirma Carolina Lázari. Ainda assim, autoridades de saúde defendem vigilância contínua, sobretudo em razão do período de incubação prolongado, que permite deslocamentos internacionais antes do aparecimento dos sintomas.
O cenário reforça a importância do monitoramento epidemiológico global e da rápida resposta dos sistemas de saúde diante de doenças emergentes com potencial de alta letalidade.






