Famasul cobra que redução de impostos sobre diesel chegue ao consumidor

Apesar do anúncio do governo federal de zerar tributos sobre o diesel, a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul) alertou que a medida só terá efeito prático se a redução for repassada ao preço final nas bombas.

Para o presidente da entidade, Marcelo Bertoni, o impacto do combustível vai além do campo e atinge toda a cadeia produtiva. “A alta do diesel pressiona os custos dentro da porteira, eleva o frete e pode refletir no preço dos alimentos para a população”, afirmou.

Segundo ele, o momento é sensível para o setor. A safra 2025/2026 já está em fase avançada, com cerca de 70% da área de soja colhida, enquanto o plantio do milho safrinha ocorre em ritmo semelhante.

Setor cobra fiscalização e alerta para impacto nos custos

A entidade defende maior atuação dos órgãos de controle para garantir que a desoneração anunciada pelo governo seja efetivamente percebida pelos consumidores.

“Qualquer elevação no preço do diesel afeta diretamente a rentabilidade do produtor, especialmente em um cenário de margens mais apertadas. A efetividade da medida dependerá da sua transmissão ao preço final”, destacou Bertoni.

Fertilizantes e exportações também preocupam produtores

Outro ponto de atenção, segundo a Famasul, é o custo dos fertilizantes, já que o Brasil depende da importação desses insumos. O cenário internacional, especialmente no Oriente Médio, pode impactar tanto os preços quanto a logística, com aumento nos custos de frete e seguro devido a instabilidades nas rotas marítimas.

O estado de Mato Grosso do Sul pode sentir esses efeitos de forma mais intensa. Em 2025, cerca de 44% das exportações de milho tiveram como destino países do Oriente Médio, além de volumes relevantes de carne de frango.

CNA defende novas medidas para conter impactos

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também solicitou a redução imediata e temporária de tributos federais e estaduais sobre o diesel, em pedido encaminhado ao Ministério da Fazenda e ao Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz).

Além disso, a entidade defende o aumento da mistura obrigatória de biodiesel para 17% (B17), medida que, segundo o setor, pode ampliar a oferta de combustível no mercado interno e ajudar a conter os preços.

A Famasul informou que segue monitorando o cenário internacional e seus reflexos sobre os custos de produção, logística e comércio exterior do agronegócio.

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