Dourados confirma epidemia de chikungunya em reserva indígena e inicia mutirão de combate ao mosquito

A Prefeitura de Dourados confirmou, nesta segunda-feira (9), que a reserva indígena do município enfrenta uma epidemia de Chikungunya. Segundo a administração municipal, o número de casos confirmados da doença aumentou significativamente nas últimas semanas.

Para tentar conter o avanço da doença, a prefeitura iniciou um mutirão de combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da chikungunya. A ação mobiliza agentes de endemias, profissionais de saúde e equipes de limpeza das secretarias municipais de Saúde e de Serviços Urbanos.

Mutirão começa pela aldeia Jaguapiru

Os trabalhos começaram pelo Hospital da Missão Evangélica Caiuá, localizado na aldeia Jaguapiru, área que concentra o maior número de casos. De acordo com o boletim epidemiológico, 99 casos já foram confirmados, enquanto 183 notificações seguem em investigação na reserva indígena.

Durante as visitas às residências, as equipes identificaram diversos focos do mosquito, principalmente em caixas d’água. Muitas famílias armazenam água da chuva devido à falta de abastecimento regular. Mesmo nas casas com água encanada, a distribuição irregular leva moradores a manter recipientes cheios por longos períodos, o que favorece a proliferação do mosquito.

Ações de combate

Para eliminar as larvas do mosquito, as equipes utilizam larvicidas e bioinseticidas, produtos biológicos aplicados em locais onde a água não pode ser retirada imediatamente, como caixas d’água. Segundo a prefeitura, os produtos são específicos para combater as larvas do mosquito e não apresentam risco para pessoas ou animais domésticos.

Outra estratégia utilizada é a borrifação com máquina costal, principalmente em áreas com maior circulação de pessoas.

Além disso, a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos iniciou a vistoria em prédios públicos da reserva, como escolas, unidades de saúde e centros de assistência social. Os trabalhos incluem roçada, limpeza de áreas e retirada de entulhos que possam acumular água.

Hospital registra aumento de atendimentos

De acordo com a prefeitura, o Hospital da Missão Evangélica Caiuá tem registrado aumento significativo na procura por atendimento. Atualmente, cerca de 130 pacientes são atendidos por dia, a maioria com sintomas como dores intensas no corpo e nas articulações, dor de cabeça e náuseas.

Com o aumento da demanda, medicamentos utilizados para aliviar os sintomas começam a ficar escassos tanto no hospital quanto nos postos de saúde da reserva. A Secretaria Municipal de Saúde informou que irá reforçar o fornecimento de medicamentos e buscar apoio do Governo do Estado para garantir assistência aos pacientes.

Sobre a doença

A chikungunya é uma doença viral transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti, o mesmo responsável pela transmissão da Dengue e da Zika.

Os sintomas mais comuns incluem febre alta, dores intensas nas articulações, dor no corpo, dor de cabeça, náuseas, cansaço e manchas na pele. Embora a maioria das pessoas se recupere em poucas semanas, em alguns casos as dores articulares podem persistir por meses ou até anos, exigindo acompanhamento médico prolongado.

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